Vida selvagem

Coronavírus: gorilas correm risco devido à semelhança com DNA humano

Em especial, os gorilas-da-montanha que estão acostumados à presença de pessoas, podem ficar expostos ao COVID-19

Pelo DNA semelhante ao dos humanos, gorilas, chimpanzés, bonobos e orangotangos correm risco de contrair o COVID-19. Foto Site Gorilla Doctor

Estudos revelaram que os grandes primatas possuem DNA bastante semelhante ao humano. Embora exista divergência entre algumas pesquisas, em geral, é considerado que chimpanzés e bonobos (chimpanzés anãos) possuem entre 98,7% e 99% de semelhança. Gorilas cerca de 98,4% e orangotangos 97%. O parentesco faz com quem esses animais padeçam de doenças que também atacam os humanos como, por exemplo, o Ebola que, anos atrás, ao mesmo tempo que dizimou muitas aldeias africanas, também matou famílias inteiras de gorilas.

A ONG Gorilla Doctors, especializada no resgate, tratamento e monitoramento dos gorilas-da-montanha na África, anunciou que a espécie corre risco potencial de contrair o COVID-19 devido ao contato com pessoas de diversas partes do mundo. “Aproximadamente 60% dos 1.063 gorilas-das-montanhas do mundo estão habituados à presença de pessoas (guardas florestais dos parques, turistas, pesquisadores e veterinários) para facilitar a conservação, o turismo e a pesquisa. A forma mais eficaz de proteger os gorilas da doença é eliminar o contato direto com os seres humanos e minimizar o contato indireto entre gorilas e pessoas infectadas”, diz o comunicado no site da ONG.

Gorila chamada Ndakasi ficou orfã quando era apenas um bebê e hoje está sob os cuidados da ONG Gorilla Doctors. Foto Gorilla Doctors

Pelo menos 19 países registraram casos do COVID-19 no continente africano.  Turistas de todo o mundo visitam gorilas habituados com pessoas em Ruanda, Uganda e República Democrática do Congo (os únicos locais onde eles existem), mas mesmo com as restrições nas fronteiras impedindo que a visitação ocorra, ainda há um contingente de pessoas que lidam com os gorilas internamente nesses países.

“A Gorilla Doctors está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades governamentais de vida selvagem para mitigar os riscos de (qualquer) transferência de doenças de seres humanos para gorilas e existem ações simples, mas altamente eficazes, que os turistas também podem realizar para ajudar a proteger gorilas em extinção”, comenta a organização.

A medida mais importante, segundo a instituição, é manter distância de pelo menos sete metros dos gorilas o tempo todo e se afastar imediatamente se um deles tentar aproximação. Isso porque, especialmente os gorilas jovens são bastante curiosos e buscam ver de perto os turistas.

Ndeze é uma gorila cuidada pela ONG Gorilla Doctors desde quando era um bebê. Ela foi encontrada na República Democrática do Congo. Foto Gorilla Doctors

“Grandes macacos, incluindo gorilas, são conhecidos por serem suscetíveis à infecção por patógenos respiratórios humanos. Em 2009, o metapneumovírus humano (HMPV) contribuiu para a morte de dois gorilas-da-montanha durante um surto grave de doença respiratória. Este vírus e outros também causaram doenças e morte em chimpanzés selvagens”, comenta a ONG.

Lamentavelmente,  conforme explica a Gorilla Doctors, apesar do risco de transmissão de doenças aos gorilas, o turismo responsável é vital para a conservação a longo prazo desses animais ameaçados: “As pessoas perguntaram se é melhor deixar os gorilas inalterados, mas a ciência mostrou que o nível de proteção e cuidados veterinários que os gorilas recebem por estarem habituados conosco os tornou o único grande macaco cujos números na natureza estão aumentando”.

A ANDA acompanha o trabalho de ONGs junto aos gorilas-da-montanhas desde 2008 e também já acompanhou a história das orfãs Ndaksi e Ndeze desde o começo. Veja mais na matéria AQUI

Ndeze e Ndakasi enquanto estavam sob os cuidados da ONG Gorilla CD. Foto Gorilla CD

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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