Crueldade

Abandono de animais cresce durante pandemia de Covid-19 em Belo Horizonte (MG)

A razão para o aumento do abandono são notícias falsas que relacionam os animais à transmissão do coronavírus

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Pixabay/Wallula

O número de animais abandonados em Belo Horizonte (MG) aumentou desde o início da pandemia de Covid-19, o coronavírus. Com a chegada do vírus, a ONG Vida Animal Livre passou a receber mais pedidos diários de resgate de animais.

A razão para o aumento do abandono são notícias falsas que relacionam os animais à transmissão da doença. Cachorros e gatos, no entanto, não se contaminam, nem transmitem coronavírus – conforme demonstrado por especialistas e autoridades, inclusive pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

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A presidente da entidade, Val Consolação, afirmou ao jornal O Tempo que animais que não eram encontrados com frequência na rua – como cães de raça, saudáveis e filhotes – passaram a ser vistos no município.

“O abandono é constante, normalmente já recebemos de cinco a sete pedidos de resgate por dia. Agora, com a pandemia, passamos a receber também cães que tinham família. Nesta semana, de domingo (22) até esta quarta-feira (25), foram 14 animais que imaginamos que tinham tutores”, afirmou.

Segundo ela, cães das raças yorkshire e shih tzu foram abandonados. “São animais difíceis de encontrar na rua. A gente vê mais cães sem raça definida normalmente”, disse.

A entidade se dedica a resgatar, oferecer cuidados veterinários, castrar e doar os animais, que permanecem em lares temporários até que a adoção aconteça. No entanto, os ativistas não conseguem dar conta da alta demanda gerada pelos constantes abandonos, especialmente após o início da pandemia.

“Os cachorros são muito dependentes dos seres humanos. Quando são jogados na rua, podem ser mortos atropelados ou envenenados ou morrerem de fome, sem água e comida. Infelizmente, as fake news podem chegar muito rapidamente às pessoas. É preciso buscar informações corretas de fontes seguras”, disse Val.

Pela internet, o Conselho Federal de Medicina Veterinária tem feito alertas sobre o tema, para conscientizar a população a respeito da informação de que os animais não transmitem coronavírus. “O abandono de animais é inaceitável e já era um problema de saúde pública no Brasil”, afirmou o Conselho.

Bruno Divino Rocha, presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV/ MG), explicou que o coronavírus que pode ser diagnosticado nos cães não é o mesmo que atinge seres humanos. Nos animais, o vírus causa diarreia.

“Não existe possibilidade de o animal passar para o homem, nem de o animal pegar a Covid-19. Não há nada comprovado nesse sentido e tudo está caminhando para provar que isso não acontece”, disse Rocha, em entrevista ao portal O Tempo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte explicou que, apesar da crise gerada pelo vírus, o resgate de animais abandonados continua a ser realizados. Além disso, a pasta oferece castração gratuita para animais tutelados por moradores da cidade e também esteriliza aqueles que são resgatados pelo Centro de Controle de Zoonoses. A pasta incentiva a adoção de animais e realiza ações educacionais sobre guarda responsável.

Dados de 2017 da prefeitura apontam um número de 404.784 animais domiciliados na cidade, sendo 307.959 mil cães e 96.825 mil gatos. Apesar de não ter dados a respeito da quantidade de animais abandonados, a Secretaria Municipal de Saúde estima que aproximadamente 10% da população domiciliada pode ser encontrada nas ruas sem supervisão de um tutor.

NOTA DA REDAÇÃO: Cães e gatos não pegam nem transmitem o covid-19. Eles podem apenas pegar as versões canina e felina do coronavírus que não são transmissíveis aos humanos, segundo o que  atestam veterinários do mundo todo. O cão de Hong Kong que a princípio mostrou em exames ter “vestigíos” do covid-19, morreu dois dias depois de ser constatado, por meio de testes mais complexos, que ele não portava o coronavírus humano. Ele era um cão idoso, com 17 anos, e os próprios especialistas de Hong Kong declararam que ele deve ter morrido devido ao estresse causado pela distância da família durante a quarentena.

No entanto, tutores infectados com convid-19 devem delegar os cuidados aos seus animais a outras pessoas e, se isso não for possível, usar álcool gel antes de acariciar seus cães e gatos, pois, pode haver uma contaminação superficial do pelo desses animais do mesmo modo que haveria num corrimão de escada, por exemplo. A ANDA tem se preocupado em passar as informações corretas, com embasamento da OMS – Organização Mundial da Saúde e de veterinários, a fim de evitar abandono e maus-tratos. Colabore também disseminando as informações corretas!


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