China submete ursos à crueldade ao aprovar uso de bile para tratar Covid-19

Mariana
março 27, 2020

A Comissão Nacional de Saúde da China aprovou o uso de bile de urso para o tratamento da Covid-19. A substância, além de não ter comprovação científica no que se refere ao combate ao vírus e outras doenças, condena os animais a extremo sofrimento.

Ao ser resgatado, Caeser usava um colete de tortura (Foto: Animals Asia)

Presos em jaulas após serem retirados da natureza, esses animais vivem vidas miseráveis, privados da liberdade, do contato com outros seres da espécie e longe da natureza. Como se não bastasse o cruel confinamento, eles sofrem durante o procedimento de extração da bile, que é retirada através de cateter, seringa ou tubo introduzido diretamente na vesícula biliar do animal.

Tuffy e Caeser foram dois dos muitos ursos explorados para extração de bile no Vietnã e na China, respectivamente. Aprisionados em pequenas jaulas, eles eram mantidos com feridas permanentemente abertas na barriga, por meio das quais um dispositivo de coleta, conhecido como colete de tortura, era colocado para retirar a bile de seus corpos. A única diferença entre eles e os demais ursos explorados para a prática é que Tuffy e Caeser tiveram a sorte de serem resgatados e levados para uma reserva natural. 

Histórias tristes como a dessa dupla de ursos, no entanto, não comovem as autoridades chinesas. O fato de que não há qualquer comprovação científica de que a bile realmente seja eficaz no tratamento da Covid-19 também não é levado em consideração pela Comissão Nacional de Saúde do país, que publicou uma lista de tratamentos permitidos para o combate ao vírus – dentre eles, a Tan Re Qing, injeção composta por extrato de plantas, pó de bile de ursos e pó de chifre de cabras, animais que também são vítimas da exploração promovida pelos seres humanos.

Ambientalistas e ativistas pelos direitos animais criticaram a recomendação do uso da injeção no combate ao coronavírus e a consideraram contraditória, já que ela vai contra a ideia sustentada pela proposta de proibir integralmente o comércio de animais silvestres para consumo no país – atualmente, a proibição é temporária, por conta da pandemia de Covid-19. Os ativistas lembram que não faz sentido permitir que os animais continuem a ser explorados na medicina tradicional enquanto se pensa em proibir, de maneira definitiva, a exploração deles no comércio.

A crueldade, no entanto, vai além da injeção. Na lista, consta também a pílula Angong Niuhuang Wan, feita com chifre de rinoceronte – espécie protegida, com caça proibida no mundo inteiro. Por conta da proibição, as leis chinesas permitem que seja usado chifre de búfalo na pílula. No entanto, sabe-se que rinocerontes continuam sendo caçados apesar da lei.

Mas nem mesmo os ursos estão livres da caça proibida pela legislação. Isso porque o ordenamento jurídico chinês autoriza que a bile seja extraída apenas de ursos criados em cativeiro, mas a crendice da comunidade local defende que o potencial medicinal da bile é maior quando o animal é retirado da natureza.

Tuffy passou a vida presa a uma jaula pequena (Foto: Animals Asia)

Surgimento de doenças

Além de serem práticas antiéticas e cruéis, a exploração de animais para a culinária e medicina trazem riscos à saúde humana. De acordo com informações do Independent e do Daily Mail, cientistas já estão alertando a população de que o Covid-19 é só o começo de uma série de pandemias que pode estar por vir.

A Campanha Pela Natureza da National Geographic sustenta que haverá mais doenças como o Covid-19 em consequência do desmatamento, exploração de animais silvestres e criação e exploração de animais para produção de alimentos e medicamentos.

Os principais cientistas ligados à ONU também sustentam que o surto de Covid-19 foi um alerta, já que existem muito mais doenças letais na vida selvagem, e que a civilização atual está “brincando com fogo”. A organização também partilha o entendimento de que é o comportamento humano que faz as doenças se espalharem para os seres humanos, não os animais.

O problema, no entanto, não está apenas na China, ao contrário do que acredita boa parte dos brasileiros. Isso porque a exploração de animais para consumo no Brasil também é propícia ao surgimento de vírus como o Covid-19. Isso porque os animais, condenados a vidas miseráveis, vivem amontados, presos em pequenas jaulas, em condições insalubres, muitas vezes misturados a corpos de animais mortos, em decomposição. Esse cenário, alertam os especialistas, é o ideal para o surgimento de novas doenças. Não é atoa, portanto, que ativistas pelos direitos animais alertam para a necessidade da adoção do veganismo, não só como forma de deixar de financiar a crueldade animal, mas também como tática de sobrevivência para os seres humanos.

NOTA DA REDAÇÃO: Cães e gatos não pegam nem transmitem o covid-19. Eles podem apenas pegar as versões canina e felina do coronavírus que não são transmissíveis aos humanos, segundo o que  atestam veterinários do mundo todo. O cão de Hong Kong que a princípio mostrou em exames ter “vestigíos” do covid-19, morreu dois dias depois de ser constatado, por meio de testes mais complexos, que ele não portava o coronavírus humano. Ele era um cão idoso, com 17 anos, e os próprios especialistas de Hong Kong declararam que ele deve ter morrido devido ao estresse causado pela distância da família durante a quarentena.

No entanto, tutores infectados com convid-19 devem delegar os cuidados aos seus animais a outras pessoas e, se isso não for possível, usar álcool gel antes de acariciar seus cães e gatos, pois, pode haver uma contaminação superficial do pelo desses animais do mesmo modo que haveria num corrimão de escada, por exemplo. A ANDA tem se preocupado em passar as informações corretas, com embasamento da OMS – Organização Mundial da Saúde e de veterinários, a fim de evitar abandono e maus-tratos. Colabore também disseminando as informações corretas!


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.



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