Ciência cruel

Universidades matam milhares de ratos explorados em testes por causa da Covid-19

Após serem explorados, objetificados e condenados a intenso sofrimento físico e psicológico durante a vida, os ratos estão sendo mortos por universidades dos Estados Unidos

Crédito: Shutterstock

Milhares de ratos estão sendo mortos por universidades norte-americanas por causa da Covid-19, após pesquisadores alegarem não haver condições de cuidar desses animais devido à necessidade de isolamento social por parte da população.

Explorados pela ciência, os ratos são tratados como “coisas” a serviço dos seres humanos. Eles vivem vidas miseráveis, presos em gaiolas, sendo submetidos a testes que os reduzem a objetos, desprezando sua condição de seres sencientes e sujeitos de direito. Muitos desses testes, inclusive, os adoecem e até matam. No laboratório, eles são vítimas de todo tipo de sofrimento físico e psicológico e, como se não bastasse tamanho terror sofrido por eles em vida, a hora da morte também é cruel. Especialistas explicaram que os ratos são mortos com dióxido de carbono, mas seus pescoços também são quebrados para garantir que morreram de fato.

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As mortes desses animais foram reveladas por uma investigação da Science. “Esta é uma situação difícil para todos, e garanto que a decisão de realizar o sacrifício dos animais não foi fácil”, afirmou Peter Smith, diretor associado do Centro de Recursos Animais da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

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O procedimento também tem sido adotado por outras universidades norte-americanas. Segundo Eric Hutchinson, diretor de pesquisa de recursos animais da Universidade Johns Hopkins, “é sombrio e triste, mas é algo que precisa ser feito”.

As instituições disseram que os ratos mortos são aqueles que “seriam mortos de qualquer maneira” por não terem nascido com perfil genético necessário para serem explorados no laboratório ou em testes específicos. “Mas, em vez de tomar essa decisão ao longo de 2 a 3 semanas, como os pesquisadores normalmente tomam, estamos pedindo que as tomem em 48 horas”, pontuou Hutchinson.

Já a imunologista da Universidade de Oregon, Isabella Rauch, não teve a opção de matar apenas camundongos que já seriam mortos em outras circunstâncias. Ela foi informada que todos os animais que não fossem essenciais para suas pesquisas deveriam ser mortos.

“Eu estava olhando meus ratinhos um por um e decidindo quem vive e quem morre. Foi muito difícil”, disse Rauch à Science. Ela acredita que sua universidade está no “nível 3 de gravidade” e torce para que não atinja o nível 4. Caso isso aconteça, segundo ela, a colônia deverá ser reduzida a 10% de ratos. “Espero que não cheguemos lá”, comentou.

Hutchinson disse ainda que ele e a Universidade Johns Hopkins não estão obrigando os pesquisadores a matarem os ratos, mas deixou claro que ambos tratam esses animais como seres que devem ter suas vidas tiradas se não forem úteis. “Não temos [o intuito] e não sacrificaremos animais apenas para conservar recursos. Estamos apenas pedindo aos investigadores que reavaliem quais animais eles realmente precisam”, afirmou.

O diretor disse também que os ratos se reproduzem rapidamente e são “usados” – isso é, explorados pela ciência – também de maneira rápida. Segundo ele, essa espécie corresponde a aproximadamente 95% dos animais explorados em laboratório e, por isso, consomem mais tempo e dinheiro dos pesquisadores.

Diante desse cenário, a ONG internacional de defesa animal “Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais” (PETA, na sigla em inglês) pronunciou-se, criticando o procedimento adotado pelas universidades, que foi chamado de “matança” pela entidade.

“Por que esses animais, mesmo com os experimentos sendo aprovados pelo órgão de supervisão das escolas, agora são tão facilmente descartados?, questionou Kathy Guillermo, vice-presidente sênior da PETA.

Segundo a Science, a PETA não se pronunciou sobre animais como cães, gatos e macacos sendo mortos. Hutchinson comentou que espera que esses animais não estejam, de fato, perdendo suas vidas.


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