Estudo apresenta animais que podem ser símbolos da luta pela preservação de ecossistemas


Os pesquisadores produziram uma lista com centenas de mamíferos, aves e répteis que podem ter suas imagens vinculadas a campanhas de arrecadação de fundos para a preservação de ecossistemas vulneráveis


Um estudo publicado na revista científica Nature Communications concluiu que animais como a cabra gnu, o macaco de orelhas vermelhas e o monstro de Gila – que são pouco conhecidos -, podem se tornar, no futuro, ícones da conservação ambiental no que se refere a campanhas de arrecadação de fundos para a proteção de ecossistemas vulneráveis.

“É hora de colocarmos alguma ciência por trás das espécies que usamos para comercializar e arrecadar fundos para conservação — em vez de limitar nossa abordagem em torno do que é popular ou visto como ‘fofo’ pelo público”, argumentou Hugh Possingham, cientista chefe da ONG The Nature Conservancy, em entrevista à BBC News.

Urso andino (Foto: GETTY IMAGES)

Dados sobre áreas protegidas, impacto humano e variedade de espécies foram compilados pelos pesquisadores para testar se uma abordagem mais científica poderia beneficiar as campanhas e, por consequência, os ecossistemas vulneráveis.

Lugares prioritários para conservação no mundo e espécies emblemáticas que poderiam ser incluídas nas campanhas foram identificados pelos cientistas.

“Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar um único dólar em conservação”, disse Jennifer McGowan, da Universidade Macquarie, na Austrália. “Dada a situação da crise da biodiversidade, precisamos ser estratégicos, eficazes e eficientes no trabalho de conservação que fazemos”, completou.

Segundo ela, “espécies emblemáticas” são uma boa forma de “tocar corações e mentes”. A pesquisadora citou o caso dos coalas vitimados por incêndios na Austrália. “Milhões de dólares foram arrecadados — porque ninguém é capaz de olhar para essas fotos e não ficar com o coração partido”, explicou.

Para o estudo, foi produzida uma lista com centenas de mamíferos, aves e répteis que podem ter suas imagens vinculadas às campanhas. São animais carismáticos que, no entanto, muitas vezes são preteridos por conta de alternativas mais icônicas.

Serpentário (Foto: GETTY IMAGES)

Nesta lista constam: o urso-de-óculos, também conhecido como urso-andino, que vive nas florestas montanhosas dos Andes, na América do Sul; a fossa, felino carnívoro que habita Madagascar; o calau-rinoceronte, pássaro do sudeste asiático; o secretário, ou serpentário, ave encontrada nas savanas da África Oriental; e o monstro de Gila, que vive nos desertos do México e dos Estados Unidos.

Considerado um ano crítico para a natureza, 2020 será marcado por um encontro em Kunming, na China, em outubro, para traçar uma nova estrutura global para a preservação da biodiversidade. Representantes dos países da Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) fazem sua primeira reunião esta semana em Roma, na Itália, para a elaboração do tratado internacional, que deve seguir a linha do “Acordo de Paris”. O objetivo é que o documento seja assinado no evento em outubro.

Um painel intergovernamental de cientistas afirmou, em 2019, que um milhão de espécies animais e vegetais estão sob ameaça de extinção. Para caminhar no sentido contrário a esse cenário e atender às metas globais de biodiversidade, pelo menos US$ 100 bilhões anuais devem ser investidos, segundo estimativas recentes.

Monstro de Gila (Foto: GETTY IMAGES)

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