Popularidade de cães com focinho achatado pode estar relacionada às clínicas de fertilidade


Alguns animais são incapazes de reproduzir ou dar à luz naturalmente


Madhurima Handa/Pixabay

A crescente popularidade de cães com o focinho achatado, como os de raça pugs e buldogues, pode estar associada ao aumento de atendimentos em clínicas de fertilidade para cães. De acordo com uma investigação feita pela revista Vet Record, alguns procedimentos anunciados nestas clínicas são proibidos.

Os cães com o focinho achatado, conhecidos como cães braquicefálicos (síndrome respiratória nas narinas), geralmente são incapazes de reproduzir ou dar à luz naturalmente, devida algumas alterações anatômicas, como quadris estreitos que podem dificultar o acasalamento e dificuldades respiratórias. Apesar disso e de outros riscos, incluindo problemas de pele e olhos, o clamor por estes cães tem sido enorme. Segundo dados do Kannel Club, instituição animal, apenas os buldogues franceses aumentaram de 1.520 em 2009 para 36.785 em 2018. No mesmo período cresceram, também, os atendimentos em clínicas de inseminação.

Ilona Krijgsman/Pixabay

De acordo com o site The Guardian (7), a investigação da revista Vet Record, revelou que existem 37 clínicas de fertilidade para cães no Reino Unido. “Não podemos ter certeza, mas é altamente provável que isso seja alimentado pela demanda por cães com o focinho achatado”, afirma Josh Loeb, coautor da investigação da revista. Segundo Loeb, tem havido uma grande demanda por estas raças de cães e elas precisam de assistência humana para procriar.

Além da inseminação artificial, estes cães também necessitam de cesárea quando dão à luz, pois as cabeças dos filhotes são muito grandes para passar por seus quadris estreitos. Algumas das clínicas investigadas parecem ser inteiramente dedicadas aos cães braquicefálicos. Os serviços oferecidos variam de inseminação artificial a exames de ultrassom, teste de motilidade espermática, microchip, teste de progesterona e cesarianas.

Para os pesquisadores, o relatório é preocupante. Alguns procedimentos só podem ser feitos por um médico veterinário, incluindo cesarianas e inseminação artificial envolvendo transferência de espermatozóide para o colo do útero da fêmea. De acordo com Leab, embora seja possível que as clínicas contratem veterinários para estes procedimentos, não está claro se o fazem.

Duas das clínicas investigadas pela revista anunciam uma forma de inseminação artificial invasiva que foi proibida no Reino Unido em 2019. Em contato com estas clínicas, elas informaram que as informações no site estavam desatualizadas e que seriam removidas. Leab também afirma que a investigação levantou algumas questões, incluindo se alguém monitora o que acontece nestes lugares.

“Diferentemente dos estabelecimentos que criam e vendem cães, aqueles que oferecem inseminação artificial para cães  não precisam de licença para operar”, informa o relatório. “Eles não são regulamentados, a menos que ofereçam serviços que sejam claramente atos de cirurgia veterinária”.

Para Leab, o uso de inseminação e cesarianas em cães braquiceálicos pode até ser considerada ilegal, uma vez que a legislação diz que os cães não podem ser forçados à reprodução se os seus genes ou outras características sugerirem que a gravidez prejudicaria a saúde ou bem-estar dos animais, sejam eles os pais ou os filhotes. “Muitos procedimentos são vistos como mutilações porque são puramente para fins estéticos, este é um exemplo disso”, disse Leab ao The Guardian.

Apesar disso, Bill Lambert, chefe de saúde e bem-estar do Kennel Club, afirma que a inseminação artificial é utilizada por muitas raças e pode oferecer benefícios genéticos. Além disso, “onde os procedimentos veterinários não estão envolvidos, às vezes você pode obter profissionais extremamente capacitados que não possuem qualificação veterinária, mas talvez tenham até mais experiência em determinadas áreas”, defende.

A Associação Veterinária Britânica está preocupada com a publicidade de procedimentos proibidos e com a ausência de veterinários nos atendimentos, de acordo com Daniella dos Santos, presidente da Associação. Para ela, o procedimento não é adequado para todos os cães, incluindo aqueles que não podem acasalar ou dar à luz naturalmente. “Os veterinários recomendam que estes cães sejam castrados”, conclui.


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