Crueldade

Proibidas por lei, rinhas de galo continuam a ser realizadas em Goiás

(Foto: Polícia Ambiental)

Os animais explorados sofrem mutilação de bico, crista e língua e ficam gravemente feridos após as brigas


Proibidas por lei desde 1998, as rinhas de galo continuam presentes no estado de Goiás. Em 2019, apenas na Região Metropolitana de Goiânia 16 rinhas foram denunciadas à Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema).

(Foto: Polícia Ambiental)

A prática persiste por conta do alto lucro garantido aos organizadores. Nos eventos, apostas são feitas nos galos. Os apostadores costumam investir de R$ 10 a R$ 1 milhão.

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As rinhas são organizadas através das redes sociais e realizadas em vários estados e até mesmo em outros países, como a Bolívia. O silêncio entre os organizadores e participantes desses eventos é a regra, segundo a agente da Polícia Civil Marjorie Gomes Chaves, de 41 anos. As informações são do portal O Popular.

“Eles são iguais traficantes, nunca contam como é, nunca revelam para a gente. Todos mentem. Falam que são apenas criadores porque gostam. Nenhum confessa”, disse Marjorie, que integrou a Delegacia de Meio Ambiente de Aparecida de Goiânia durante cinco anos, atuando em operações que desarticularam rinhas.

Para despistar a polícia, as rinhas são feitas em locais diferentes. “É muito difícil fazerem as brigas nesses locais onde estão concentrados os galos. Vão para outros lugares”, explicou.

Para observar o nível dos maus-tratos aos quais os galos foram submetidos é usado como base o Protocolo de Perícia em Bem-Estar Animal (PPBEA), que estabelece cinco liberdades que o animal tem direito: comportamental, ambiental, sanitária, nutricional e psicológica.

A manutenção das aves em locais pequenos, apertados e escuros já configura maus-tratos, segundo a médica veterinária da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Anápolis, Elisangela de Albuquerque Sobreira, que já atendeu galos explorados em rinhas.

Os animais explorados sofrem mutilação de bico, crista e língua. De acordo com a veterinária, as galinhas têm seus bicos mutilados para que não furem ovos fecundados. O corte na língua, por sua vez, é feito para facilitar a alimentação do animal.

Os organizadores também retiram a espora do galo e a substituem por uma espora artificial, feita de polietileno. O objetivo é garantir que todas as aves tenham a espora do mesmo tamanho.

O destino desses animais é uma das dificuldades encontradas pelas autoridades. De acordo com o delegado titular da Dema, Luziano Carvalho, muitas vezes o tutor das aves, que as explorava, fica como depositário delas. Nesses casos, há dificuldade para garantir que os animais não serão trocados por outros pelo tutor.


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