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Precisamos de produtos mais éticos

Ética já não perpassa pela indiferença generalizada e perpetuada nas nossas relações de consumo por tantas gerações

Arte: Pawel Kuczynski
Arte: Pawel Kuczynski

Com o aumento de uma população global mais consciente da importância de relações mais éticas de consumo (embora não na proporção ideal ainda), hoje as empresas estão sendo obrigadas a se adaptarem a uma realidade bem diferente de 20 anos atrás, por exemplo.

Afinal, é o consumidor que tem o poder de pautar como uma empresa que gera um produto deve se comportar, e não o contrário. E por uma lógica bem simples – nenhum produto se sustenta no mercado sem que haja consumo.

Ainda assim, não faz muito tempo que o consumidor passou a reconhecer esse seu poder que se tornou mais premente entre as gerações que surgiram da década de 1980 para cá.

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Mas a tendência agora é mais promissora do que em qualquer período da história da humanidade após a Revolução Industrial, e isso já se reflete em pesquisas sobre o progressivo comprometimento ético das empresas em oferecer, em resposta à demanda, produtos e serviços que não representem desrespeito à vida humana e não humana e ao meio ambiente.

Hoje, já não basta empurrar para o consumidor um produto com o mesmo apelo de vinte, dez anos atrás, por exemplo, e talvez nem mesmo de cinco anos atrás, até porque há uma maior circulação de informações sobre cadeias produtivas e sobre muitas empresas – bastando apenas uma rápida pesquisa por parte do consumidor consciente.

Além disso, há mais consumidores que não se deixam levar apenas pela publicidade. Eles querem mais informações que comprovem que um produto realmente vale o consumo. Não se contentam com a comodidade de uma empresa dizendo o que eles devem consumir e em que circunstância consumir.

E isso significa que a ética já não perpassa pela indiferença generalizada e perpetuada nas nossas relações de consumo por tantas gerações, quando a população costumava confiar cegamente na indústria, por crer que esta estava preocupada em oferecer somente o melhor aos consumidores – como se o lucro estivesse em segundo plano.

Afinal, ironicamente qual é a melhor forma de conquistar o consumidor do que fazê-lo acreditar que a prioridade é a sua satisfação, o seu bem-estar? Ainda que seja um produto antiético e mesmo prejudicial à saúde. Então, em relação aos alimentos, nesse caso há um apelo ao paladar, ao sinestésico e à elevação do dispensável ao necessário, e que já não é tão eficaz quanto foi no passado.

Não que hoje os consumidores não se rendam à indústria, mas é importante reconhecer que há uma mudança bem significativa que tende a se tornar muito mais presente no futuro; e quem não se adaptar a isso sabe que corre o risco de ficar de fora dos interesses do consumidor.

Produtos considerados úteis ou saborosos em rótulos bonitos já não são o suficiente para parcela significativa da população. É preciso comprovar que não resultam de uma cadeia antiética de produção. Enfim, precisamos de produtos mais éticos. E se isso já tem chamado a atenção de muitas empresas que não desejam ficar para trás, imagine como será daqui 20 ou 30 anos?


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