Período reprodutivo

Pesquisadores dos EUA estudam impacto das mudanças climáticas nas tartarugas-verdes

Foto: Cleverson Souza/Tapyoca (Divulgação)

O estudo monitora machos e fêmeas, além de ninhos, de tartarugas que vivem em Fernando de Noronha, em Pernambuco


Pesquisadores da Universidade Estadual da Flórida, nos Estados Unidos, estão estudando os impactos das mudanças climáticas nas tartarugas-verdes, que se reproduzem em Fernando de Noronha (PE).

Foto: Cleverson Souza/Tapyoca (Divulgação)

Pesquisas indicam que quanto maior a temperatura da areia, mais fêmeas nascem. As informações são do portal G1.

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Desenvolvido em parceria com a Fundação Pró-Tartarugas Marinhas (Tamar), o estudo foi financiado pela National Science Foundation (NSF). Os dados estão sendo coletados na ilha pelo biólogo brasileiro Armando Barsante, que durante 18 anos trabalhou no Tamar e atualmente é estudante de doutorado da universidade norte-americana.

“Pouco se sabe sobre o comportamento das tartarugas macho no mundo. Essa é uma pesquisa inédita. Vamos investigar a paternidade das tartarugas e quantos machos contribuem em um mesmo ninho, entre outras informações”, disse Barsante.

De acordo com ele, as fêmeas são mais acessíveis porque precisam sair da água para desovar. Já os machos, quase não saem do mar, o que dificulta a realização de análises sobre seu comportamento. Em alguns locais do mundo, a proporção é de quatro fêmeas para cada macho.

“Em 28 graus [de temperatura], metade da ninhada seria macho e a outra metade, fêmea. À medida que esquenta a temperatura, gradativamente, mais fêmeas serão produzidas. Caso se chegue a 32 graus, só nascerão fêmeas”, observou o pesquisador.

Em 23 de dezembro de 2019, um macho passou a ser monitorado através de um transmissor que emite sinais de satélite. Júlio Grande, como passou a ser chamado, ficou em Noronha até 8 de janeiro, quando deu início à migração. Percorrendo mais de mil quilômetros, o animal já passou pelo Rio Grande do Norte e chegou ao Ceará.

Foto: Paulo Lara/Projeto Tamar

Os pesquisadores pretendem monitorar outras oito tartarugas do sexo masculino, através dos transmissores, em 2020 e outras oito em 2021.

O estudo, porém, não avaliará apenas os machos, mas também as fêmeas e os ninhos. “Como a tartaruga faz várias desovas, pode ser que uma ninhada tenha mais fêmeas e outra tenha mais machos. Concentramos o estudo na Praia do Leão, onde há maior quantidade de ninhos”, contou Armando.

Dispositivos que medem a temperatura da areia por hora foram colocados nos ninhos em Fernando de Noronha. “Ainda não tivemos nascimentos no primeiro ninho onde colocamos o equipamento. A previsão é 4 de fevereiro. A desova completa 45 dias em 2 de fevereiro. Vamos resgatar o dispositivo e identificar a temperatura, acreditamos que será mais de 28 graus”, informou.

Foto: Paulo Lara/Projeto Tamar

Amostras de tecido das fêmeas também estão sendo colhidas pelo biólogo. Trinta e duas amostras de filhotes para estudo de DNA serão retiradas de cada ninho e será possível identificar os pais das tartarugas.

“Com o estudo genético, nós temos 99% de chance de saber qual indivíduo é o pai. Vamos identificar se existem ninhos de fêmeas diferentes com o mesmo macho como pai dos filhotes”, explicou.

A coleta de dados do estudo, iniciado em dezembro de 2019, irá durar três anos e a pesquisa deve ser concluída em cinco anos. No dia 2 de fevereiro, uma pesquisadora norte-americana irá participar da coleta de campo na ilha.


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