Maus-tratos

Cachorro exausto é arrastado após ser forçado a percorrer quase 10 km

Foto: Ascom/IMA

Além do cansaço físico, o cachorro apresentava desconforto térmico e ferimentos nas patas, que deixaram um rastro de sangue por onde ele passou


Um cachorro da raça pit bull foi forçado a caminhar quase 10 km e, quando se negou a andar por estar exausto, foi arrastado pelo tutor. O caso aconteceu em Maceió (AL) na sexta-feira (24). O tutor do animal foi detido após testemunhas acionarem a Polícia Militar.

Foto: Ascom/IMA

O animal, que está recebendo tratamento veterinário, ficou com as patas feridas. Funcionários do Instituto do Meio Ambiente (IMA), que acionaram a polícia, demonstraram interesse em adotar o cachorro, que terá seu destino decidido pela Comissão de Bem Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil seccional Alagoas (OAB-AL). As informações são do portal G1.

Uma mulher fez o homem parar de forçar o cão a caminhar quando ele passava na frente da sede do IMA. A atitude dela chamou a atenção dos funcionários do instituto, que também decidiram intervir.

Após a polícia chegar, o homem foi encaminhado a uma delegacia. Ele foi autuado por maus-tratos a animais pela Polícia Civil e pelo IMA.

“Ele disse que ia levar o cachorro para a praia, que já era acostumado a fazer esse percurso e que dessa vez resolveu levar o cachorro. Quando estava a poucos metros do IMA, o cachorro não aguentou mais andar e ele começou a arrastar o cachorro, que estava com as patas esfoladas, machucadas, saindo sangue”, contou a assessora do IMA, Clarice Maia.

Foto: Rick Vieira/Arquivo Pessoal

O médico veterinário Rick Vieira foi acionado e esteve no local para prestar atendimento ao cachorro. “O pessoal sabe que eu sou veterinário e me abordou para falar do caso que o cachorro tinha sido trazido das imediações da Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro, até o Mutange andando. O animal não estava conseguindo ficar em pé, no passeio estava um rastro de sangue, ainda está, inclusive, por conta das feridas”, disse.

“Ele [o cachorro] caminhou por um período muito grande e isso acabou lesionando as patas do cachorro. Ele está até agora sem conseguir ficar em pé. Além disso, ele estava com desconforto térmico muito grande. O pessoal do IMA colocou ele na sombra e ofereceu água junto com os outros populares”, completou.

De acordo com o veterinário e com funcionários do IMA, após ser flagrado pelas testemunhas, o homem tentou colocar o cão em um carro fretado e colocá-lo nas costas para fugir.

Foto: Ascom/IMA

“Eu conversei com a doutora Rosana, da Comissão de Bem Estar Animal, e o animal está sob minha responsabilidade até se restabelecer”, contou o médico veterinário.

Rosana Jambo, presidente da Comissão de Bem Estar Animal, afirmou que o pit bull tem sinais de conchectomia – prática proibida desde 2012 por meio da qual a orelha do animal é cortada para fins estéticos. Além do corte da orelha, a retirada da cauda e a eliminação das cordas vocais também são proibidas pelo Conselho de Medicina Veterinária.

“O tutor vai ter que dizer também quem é que realizou o procedimento, porque isso envolve também um profissional, provavelmente, de veterinária, porque também é outro sinal de maus-tratos. Vamos saber quem fez a mutilação no animal, se foi o agressor, se foi um veterinário”, explicou Rosana Jambo.


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