Austrália

Aborígenes respondem a ativistas de direitos animais sobre matança de camelos

A medida de fuzilar 10 mil camelos tomada pelo governo australiano visa impedir que os animais invadam comunidades aborígenes em busca de água e alimento

Os camelos foram importados, a população explodiu e a solução final foi o fuzilamento. Foto Banksadam/Pixabay

Conforme anunciado pelo governo australiano, atiradores utilizando-se de helicópteros, tiveram autorização para matar 10 mil camelos de 8 a 12 deste mês como forma de impedir invasões a comunidades aborígenes que sofrem com a seca no país. O massacre de 5 dias contabilizou metade da meta prevista: cerca de 5 mil animais mortos.

Segundo reportagem do portal Daily Mail de 14 de janeiro, “líderes aborígines disseram que os grandes rebanhos ameaçavam alimentos e água potável  escassos, danificavam a infraestrutura e criavam um risco para os motoristas”.

Como o massacre de camelos foi muito criticado por ativistas de direitos animais do mundo todo, Richard King, gerente geral das Terras Anangu Pitjantjatjara Yankunytjatjara (APY) – que abriga cerca de 2.300 aborígenes – disse ao Daily Mail:

“Agradecemos as preocupações dos ativistas dos direitos animais, mas há informações errôneas significativas sobre a realidade da vida de animais selvagens não-nativos, que estão entre os lugares mais áridos e remotos da Terra”.

“Como guardiões da terra, precisamos lidar com uma praga que foi introduzida, de maneira que proteja o suprimento valioso de água para as comunidades e a vida de todos, incluindo nossos filhos pequenos, idosos, flora e fauna nativas”, completou.

Medidas éticas de controle populacional seriam benéficas aos animais e também aos aborígenes. Foto Janne Bavnhoj/Pixabay

King explicou ao jornal: “Os camelos enfraquecidos freqüentemente ficavam presos e morriam em poços de água, contaminando as fontes de água necessárias aos habitantes locais, animais e pássaros nativos. O período prolongado de seca, embora não seja difícil para a fauna nativa, leva  os camelos selvagens a um sofrimento extremo”.

Os camelos chegaram na Austrália na década de 1840 para exploração do vasto interior do país, com até 20 mil importados da Índia nas seis décadas seguintes. Depois foram e ainda são utilizados pelo turismo.

Agora acredita-se que a Austrália tenha a maior população de camelos selvagens do mundo, com estimativas oficiais sugerindo que mais de um milhão está vagando pelos desertos do país.

Segundo o que o Daily Mail apurou, os animais são considerados uma praga, pois, sujam as fontes de água e atropelam a flora nativa enquanto procuram comida por longas distâncias a cada dia. “Os proprietários tradicionais das Terras da APY por anos venderam camelos selvagens mas, recentemente, eles ficaram incapazes de gerenciar a escala e o número de camelos que se reúnem em condições secas, de acordo com o departamento de meio ambiente”, diz a matéria.

Acredita-se que hoje a Austrália tenha a maior poulaçãod e camelos selvagens do mundo. Foto moonzigg/Pixabay

Já a posição dos ativistas de direitos animais é que um país rico, bem estruturado e com os maiores institutos de pesquisas do mundo tem plenas condições de conter a explosão populacional de diversas espécies sem optar pelo fuzilamento dos animais. Além dos camelos é autorizada a caça de cangurus e o envenenamento de gatos selvagens como forma de conter a reprodução.

Ao longo de décadas, controles populacionais éticos e muito mais eficazes poderiam ter sido aplicados evitando-se medidas cruéis como essa contra os 10 mil camelos. Ao mesmo tempo, as comunidades aborígenes seriam poupadas de transtornos com esses ou outros animais.

Matéria publicada na ANDA com o título “Carnificina de 10 mil camelos na Austrália segue até domingo” (que teve 37 mil curtidas) gerou muita polêmica porque várias pessoas entendem que os aborígenes têm direito de defender seu território, já tão restrito como a de qualquer outro povo indígena que tenta resistir com seus costumes.

Mas a questão é que um país tão desenvolvido certamente poderia investir na fiscalização e controle de espécies importadas, como também em pesquisas que visem métodos éticos de controle populacional. Em pleno século XXI não cabem mais medidas como as de fuzilamento em massa de animais.

Com esse triste episódio de matar milhares de camelos, a Austrália conseguiu alcançar e talvez superar a má reputação da China com relação ao tratamento que destina aos animais, muito criticada mundialmente pela matança de milhares de cães e gatos das formas mais brutais.

O povo australiano, em geral, ama os animais, mas o governo há décadas tem autorizado matanças que poderiam ser evitadas.

A vida selvagem, que já foi o mais admirado cartão postal da Austrália, atraindo milhares de turistas do mundo todo a cada ano, hoje luta contra os incêndios, contra a fome e a sede e, se sobrevive, ainda pode morrer fuzilada.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

14 COMENTÁRIOS

  1. Como toda medida assassina, esse argumento dos aborígenes não se sustenta e me decepciona enormemente. Pensava que os povos ligados a natureza tivessem melhores sentimentos para com nossos irmãos sem voz. Além de os explorarem, os culpam por problemas causados pela espécie humana. Lamentável demais. Triste demais. Horrível demais.

  2. A pergunta que todos devemos fazer é qual criminoso alega ser culpado?
    Qualquer um que foi conivente com essa matança, esse assassinato contra a vida senciente deveria ser tratado como criminoso ser julgado e preso e se voltar a cometer esse crime deveria pagar com a pena de morte. Essa seria a forma justa de compensar o assassinato de vidas inocentes.

  3. Para quem leu a minha resposta anterior está perguntando, mas e a solução? Na própria matéria do anda os ativistas veganos já deram a solução. Na verdade a primeira atitude do governo australiano deveria ter sido a prevenção quando eles sequestraram os animais de um país (India) e levaram para Austrália. Austrália deveria ter cadastrado todos os animais uma vez que começou a se reproduzir sem controle e se fosse preciso deslocar remanejar os mesmos para outro país rico e que aceitasse a extradição deles o assassinato desses animais não teriam ocorrido. Dessa forma que eu estou colocando parece fácil mas na verdade deveria ser pois sempre falamos em amor em paz União nas datas festivas, o mundo inteiro propaga isso e não pratica. Passou da hora da gente praticar tudo isso que desejamos em datas comemorativas.

  4. Como sempre os “ativistas” em favor de animais invasores jogam a culpa em outro alguém. Vai lá na rua e põe um potinho de ração pra gato e cachorro se alimentarem e continuarem a se reproduzirem a vontade. Daqui a pouco é aqui também. Quem alimenta cães e gatos vadios é o maior culpado pelos desequilíbrios que se originam desta conduta.

    • O animal só está na Rua porque alguém da sua linhagem um dia foi abandonada. Esse papo não tem nada a ver com a discussão proposta. Se tivesse dado como exemplo o problema que o BRASIL enfrenta com os javalis, até faria sentido.

    • Claro, vamos matar todos os cães e gatos que estão na rua sofrendo, assim eles não serão mais um encômodo para você , porém quero que vá pessoalmente e extermine todos, vamos ver se tem o coração de ferro de ver um cão chorando de dor por uma pancada e continua matando ele, já que esses animais vadios são apenas objetos na sua concepção.

      Fica a reflexão

    • Vadio? Vadio é você! Eles são animais abandonados seu ignorante especista sem empatia! E se tem muitos largados não é culpa de quem os alimenta, é culpa de quem abandona, nao castra, não cuida e de quem é vazio de sentimentos e os trata como vadios! Vai fazer terapia, quem sabe se torne mais humano e empático com vidas que sofrem!!!!

  5. Sou ativista dos direitos dos animais e digo que um assunto complexo como este deveria ser discutido séria e sem demagogia. Os camelos, como a matéria coloca no final, devem ser tratados sim como invasores e não com o mais um animal selvagem no país. Animais exóticos, como todos sabem, geram desequilíbrios ambientais levando espécie os animais e vegetais nativas a extinção. Existem inúmeros casos no mundo, com todo tipo de espécies exóticas sendo introduzidas em hábitats estranhos. Os resultados são sempre catastróficos para as espécies nativas.

    A matéria deixa claro existirem ao menos meio milhão de camelos na Austrália. É impossível remanejar esse tanto de animal selvagem espalhado por um país gigantesco como a Austrália. É muito bonito exigir uma atitude diferente que a matança. Não concordo com ela, deixo claro. Porém, não existe um lugar no mundo que se livrou de um animal exótico sem matar os indivíduos que vivem ali. Essa é a realidade. A matança é errada? Sim. Mas ela é resultado de um erro maior que começou em 1840, quando tiveram a ideia idiota de levar camelos para lá.

  6. A Austrália está dando um exemplo ao mundo de Especismo Extremo! Não de de Especismo mais de brutalidade, o Brasil também não fica atrás , somos uma maioria NECRÓFAGA, que adora saborear uma cadáver, gostamos apenas de ” gato e cachorro ” e ignoramos porcos, galinhas, boi, vaca ,Coelho, Carneiro etc Sinto muita vergonha da minha própria espécie, que faz um inferno a vida dos animais.

  7. Pq será que não disseram que a maior preocupação desses “aborígenes” é a ameaça a pecuária que eles mantém né, só trocaram a gravata por “penacho” errou tbm em chamar os animais de praga! Praga é a raça humana!

  8. É incrível como o humano se torna cada dia mais cruel com o animal. Aquele que foi determinado pelo Supremo Criador em proteger a Terra e toda espécie vivente se tornou seu maior inimigo. Meu coração sangra. Peço o Supremo Criador a retribuicao da mesma quantidade de justica aos culpados pela morte desses inocentes que apenas queria água e comida. Que seja derramado sobre eles e seus filhos o sangue desses inocentes para a maldição. É meu desejo.

  9. acho que o fuzilamento seria mais necessário aqui no brasil aonde temos diversos presos, sugando o dinheiro público e varios politicos tambem, acho que aqui 10 mil seria só para começar !!!

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