Estudo

Oceanos atingem a maior temperatura já registrada em 2019

Lucas Jackson/Reuters

Um estudo descobriu que 90% do calor gerado pelos gases de efeito estufa desde 1970 chegou aos oceanos


Os oceanos atingiram a maior temperatura já registrada e o maior aumento anual da década em 2019, segundo um estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences. A temperatura esteve 0,075°C acima da média para o período de 1981 a 2010.

De acordo com Lijing Cheng, um dos autores do estudo e professor associado do IAP (Instituto de Física Atmosférica) da Academia de Ciências Chinesa, a quantidade de energia necessária para gerar este aumento de temperatura oceânica equivale a explosão de 3,6 bilhões de bombas nucleares como a que foi lançada em Hiroshima.

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“Esse aquecimento dos oceanos é irrefutável e é mais uma prova do aquecimento global. Não há alternativas razoáveis além das emissões humanas de gases captadores de calor para explicá-lo”, diz Cheng.

O estudo descobriu que 90% do calor gerado pelos gases de efeito estufa desde 1970 chegou aos oceanos. Apenas 4% chegou à atmosfera no mesmo período.

Para a elaboração da pesquisa, os cientistas calcularam a temperatura dos oceanos até 2 mil metros de profundidade, corrigindo possíveis vieses de cada equipamento usado em estudos anteriores, e elaboraram simulações baseadas nos modelos passados para preencher as lacunas.

“Como um único valor anual de emissões pode ser impactado por variabilidades internas (como El Niño) ou erros instrumentais, as tendências de longo prazo são muito mais importantes do que qualquer ano individual para mostrar as mudanças climáticas; e essas tendências foram calculadas neste trabalho”, afirma o estudo.

As seis décadas analisadas pelo estudo foram divididas em dois períodos – de 1955 até 1986 e 1987 até 2019 – para determinar o ritmo do aquecimento. Os pesquisadores descobriram que o aumento da temperatura nas últimas três décadas foi 450% superior que o registrado no primeiro período, o que indica que o aquecimento dos oceanos não só aumentou, como está ocorrendo mais rapidamente.

Essa situação gera, entre outras questões, ondas de calor marinha, como a registrada em 2013, que recebeu o nome de “blob” e causou grande destruição.

“A blob está documentada por ter causado grande perda de vida marinha, do fitoplâncton ao zooplâncton e aos peixes –incluindo 100 milhões de bacalhaus”, disse à imprensa Kevin Trenberth, co-autor e pesquisador Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA.

O impacto chega também às cidades, por meio dos furacões. Trenberth lembrou que a junção dos prejuízos causados pelos furacões Harvey, em 2017, e Florence, em 2018, alcança US$ 146 bilhões (R$ 605,4 bilhões) e 153 mortes.

“O preço que pagamos é a redução do oxigênio dissolvido no oceano, a vida marinha prejudicada, o fortalecimento das tempestades e a redução das economias relacionadas ao oceano”, afirma Cheng.


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