Cientistas fizeram alerta sobre agravamento de incêndios na Austrália há 13 anos


Em 2007, cientistas publicaram um documento que afirmava que ondas de calor e incêndios aumentariam em intensidade e frequência


Cientistas previram o agravamento de incêndios florestais na Austrália há 13 anos. O alerta foi feito em 2007, quando foi divulgado o quarto relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC).

“Existe virtualmente certeza de que ondas de calor e incêndios vão aumentar em intensidade e frequência”, afirmava o capítulo sobre a Oceania do relatório de avaliação publicado pelo painel em 2007. O climatologista da Universidade de Potsdam, na Alemanha, Stefan Rahmstorf, relembrou o trecho em publicação feita no Twitter na segunda-feira (6).

Foto: Saeed Khan / AFP

“O que o mundo pode aprender com a crise dos incêndios florestais na Austrália: mais tarde você paga caro por entregar a mídia e o governo aos negacionistas da ciência”, afirmou o alemão, que é um dos cientistas mais influentes na área em todo o mundo.

Diante do cenário alarmante registrado na Austrália, o primeiro ministro do país, Scott Morrison, começou a mudar seu discurso. Se no passado ele era hostil a políticas de redução do CO2, atualmente Morrison afirmou que a Austrália pretende cumprir seu compromisso de cortar voluntariamente as emissões de CO2. As informações são do jornal O Globo.

“Eu sempre reconheci a conexão entre esses eventos climáticos extremos e os eventos de fogo mais amplos como o impacto global da mudança climática”, afirmou o premiê em dezembro, durante entrevista coletiva. “Mas tenho certeza que as pessoas igualmente não reconheceriam uma conexão direta com nenhuma ocorrência individual de incêndio”, completou.

Apesar da mudança de discurso, Morrison apoiou a indústria australiana de carvão mesmo após a crise dos incêndios se iniciar e defendeu reduções de emissões que “não sigam em direções extremas” e não interfiram na economia do país.

Os cientistas, por sua vez, chegaram a prever a data em que os incêndios se agravariam. O alerta foi feito em um documento encomendado pelo governo australiano em 2008 – o Garnaut Climate Change Review.

“Projeções meteorológicas recentes sobre incêndios sugerem que a estação do fogo vai se iniciar antes, terminar um pouco depois e geralmente será mais intensa”, dizia o documento. “Esse efeito crescerá com o tempo, mas deve ser diretamente observável por volta de 2020”, concluía.

O documento se baseia em dados de um relatório de consultoria liderado pelo cientista Christopher Lucas, do Centro Australiano para Pesquisa de Clima e Tempo, para o estado de Vitória, emitido também em 2007.

O assunto também foi comentado pelo cientista Michael E. Mann, da Universidade do Estado da Pensilvânia (EUA), autor de um estudo que prova como o aquecimento global é um evento sem precedentes nas últimas centenas de milhares de anos.

Mann escreveu um artigo para o jornal The Guardian, no qual relata o que observou quando subiu nas Montanhas Azuis, na Austrália, e explica de que forma a crise atual é consequência do aquecimento global.

“Pegue temperaturas recordes e combine-as com uma seca sem precedentes em regiões que já são secas, e você obtém incêndios florestais nunca vistos, como aqueles que cercam as Montanhas Azuis e se espalham pelo continente”, disse Mann. “Não é complicado”, acrescentou.

Austrália antes e depois dos incêndios

Imagens de satélite divulgadas nesta terça-feira (7) pela Nasa mostram a Ilha Kangaroo, terceira maior ilha da Austrália, antes e depois dos incêndios. Um terço do território da região foi devastado pelo fogo.

A primeira imagem foi feita em 16 de dezembro de 2019 e a segunda em 07 de janeiro de 2020. A devastação causada na ilha foi classificada pela Nasa como “cicatrizes de queimadas e áreas que ainda estão pegando fogo”, representadas pelas manchas em vermelho claro e escuro.

Aproximadamente um terço da ilha é composto por reservas ambientais, onde vivem animais silvestres, alguns deles ameaçados de extinção. Segundo informações do G1, no local vive também uma colônia de abelhas da Ligúria, que é a única população de raça pura do mundo e sem doenças deste tipo de abelha.


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