Carnificina de 10 mil camelos na Austrália segue até domingo


Crime: beber água. Sentença: execução a tiros.  A medida bárbara do governo australiano foi colocada em prática dia 8 

Os camelos serão mortos por atiradores em helicópteros. Foto Peggy und Marco Lachmann-Anke/Pixabay

Um deserto tingido de sangue com vários animais, adultos e filhotes, espalhados pela areia e agonizando até a morte – que pode levar horas ou dias. O cenário não é do século passado nem muito menos de algum país pequeno, sem estrutura ou cultura.

A medida drástica, cruel e antiética para “poupar água” que está em falta num país em chamas é da Austrália – um das nações de melhor IDH – Índice de Desenvolvimento Humano do mundo, com excelentes níveis educacionais, culturais, de habitação, saúde e economia estável.

O assassinato em massa, que começou na quarta-feira, dia 8, deve durar, à princípio, até domingo. Tendo suas comunidades invadidas  pelos camelos sedentos, os aborígenes  exigiram do governo um controle rápido dos animais, mas a medida adotada não combina em nada com um país desenvolvido e com capacidade de evitar atitudes como essas.

Investimentos em controle populacional evitariam qualquer medida drástica. Foto Moonzigg/Pixabay

A morte brutal virá do alto onde dezenas de helicópteros estarão lotados de atiradores com armas de longo alcance. Animais serão feridos nas pernas, dorso, cabeça… alguns terão a sorte de morrer na hora, mas muitos passarão horas e dias sangrando e sofrendo.

Triste não é a palavra que cabe em mais este episódio de atrocidades cometidas pelos humanos. As palavras que mais se encaixam são retrocesso e sadismo – duas coisas que absurdamente persistem em pleno século XXI.

A Austrália é um país rico em tecnologia e em pesquisas científicas. Por que não usar essas ferramentas para poupar a vida de milhares de animais que não têm como se defender e que nem sequer foram parar na Austrália por vontade própria?

Esses animais foram sendo levados para a Austrália a partir de 1840 para serem usados como via de transporte nos desertos. Depois passaram a atender o setor turístico. Há décadas eles carregam turistas pelo deserto australiano. Enquanto representavam lucro eram bem-vindos. Agora que são vistos apenas como “pragas” sedentas, a sentença foi execução sumária.

Os camelos feridos podem agonizar por horas ou dias no deserto australiano. Foto Logga Wiggler/Pixabay

Vários artistas e celebridades, principalmente australianos, estão doando milhões para o controle dos incêndios que assolam o país. Milhões. Será que parte desse dinheiro não poderia ser investido numa solução “humana” e positiva tanto para os camelos quanto para a comunidade aborígene?

Por que não se impediu a reprodução descontrolada dos camelos ao longo dos últimos anos? O país é próspero, tem estrutura, tecnologia… tem tudo!

Como se não bastasse autorizar a matança de cangurus como meio de controle populacional e também o massacre de gatos selvagens, agora o governo australiano cria mais uma medida sangrenta para seus problemas. Não é o único. Matança de rinocerontes, girafas e elefantes, dentre outros animais, também é frequentemente autorizada por países africanos. No Brasil o alvo de caçadores são os javalis, javaporcos e o que estiver no caminho. Até onça-pintada em extinção se mata com facilidade no Brasil.

E tudo isso em pleno ano de 2020. Nem é preciso dizer o quanto estamos moralmente, socialmente e espiritualmente “atrasados” apesar de sermos capazes de criar estações lunares e enviar sondas para Marte.

A Terra ainda é um mundo muito dividido: parte das pessoas fica perplexa diante dessas atrocidades, com o coração ferido dada a impotência de evitar tais tragédias, enquanto outra parte se diverte assassinando do alto criaturas que têm tanto direito de viver, inclusive de beber água, quanto qualquer outra sobre a face da Terra.

Isso vai entrar para a parte sombria de nossa história: já chegou o dia em que beber água tornou-se crime punível com morte lenta e dolorosa.

Para entender melhor o caso do massacre dos camelos acesse o link

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


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