Cão com problema cardíaco morre após queima de fogos em São Pedro (SP)


Tom, como era chamado, tinha medo de fogos e ficava agitado e com a respiração ofegante quando os explosivos eram usados


Um cachorro de oito anos de idade, que sofria de problema cardíaco, morreu após a queima de fogos do Ano Novo, realizada na noite da última terça-feira (31), em São Pedro, no interior de São Paulo.

Foto: Divulgação

Tom, como era chamado, foi adotado pela moradora da cidade Dora Sales, após sua tutora morrer, mas vivia com o cuidador de cães Fábio Donadio.

“O Tom veio morar comigo há cerca de 4 anos. Ele era um cachorro que tinha medo de fogos. Sempre fico com os cães na passagem de ano. Acredito que bastante gente deixou de soltar fogos, mas estabelecimentos, como hotéis, soltaram bastante. O Tom ficava ansioso e com a respiração muito ofegante. E ele tinha problema do coração, tomava medicamentos. Era um sufoco. Por mais que a gente estivesse com ele, o Tom ficava bem agitado”, contou Fábio, em entrevista exclusiva à ANDA.

De acordo com o cuidador de cães, Tom aparentava estar bem após o fim da queima de fogos, mas foi encontrado morto no dia seguinte. “Acabaram os fogos, ele estava bem. Saí e quando voltei, olhei os cães e estava tudo em ordem. Fui dormir e quando acordei, o Tom estava morto. Dava para perceber que deu ataque no coração porque ele até defecou. Por mais que os fogos tenham passado, eles continuam naquele nervosismo e por ele ter problema do coração, ele não aguentou”, disse.

Fábio revelou que os fogos foram intensos e demorados. “É um inferno para mim todo ano este negócio de soltar fogos, já que trabalho com cães. Precisamos ficar observando os cães, abraçados com eles, passando o máximo de calma possível”, afirmou.

Dora Sales, tutora do cachorro, contou que, apesar de ser um animal bastante dócil, Tom era rejeitado por sua antiga tutora. “O Tom era de uma vizinha minha que morreu. Ela tinha 12 cães. Eram todos de porte grande, labradores. O mais gordo que ela dizia que não gostava, achava ele feio, era o Tom”, contou.

Foto: Divulgação

“Um dia quatro deles fugiram, eu peguei coleiras e saí para trazê-los de volta e o primeiro que peguei foi o Tom. Quando ela viu, falou: ‘mas você trouxe este, eu não queria que ele voltasse’. Senti uma dor no coração! Então, depois que ela morreu, eu fiquei com dois, o Tom e uma cadela sem raça definida, pretinha, que está aqui até hoje”, completou.

Antes de morar com Fábio Donadio, Tom viveu por um ano na casa de Dora e conquistou o coração dela com seu jeito doce. “Até hoje eu nunca tive um cãozinho mais educado, limpinho, bom, brincalhão e amoroso. Parece que morou comigo a vida toda! Vou contar uma coisa que parece mentira, mas no verão eu ligava o ar condicionado do meu quarto e ele ouvia o barulho e corria e deitava no colchão que tinha no chão para eles. Era um colchão e meio. E ele ocupava todo o espaço. Quando ele via que os outros também queriam deitar, ele se levantava, esperava todos deitarem, aí ele via um cantinho e se encolhia todo para caber. Eu nunca tinha visto uma cena dessas! Outra do Tom era dar um passo para trás quando um dos gatos queria comer do prato dele. Era realmente especial conviver com ele. Os meu meninos aprenderam muito com ele”, revelou.

Após um ano vivendo na casa de Dora, o cachorro teve que ser levado para o hotel de Fábio porque a tutora teve problemas graves de saúde e foi submetida a uma cirurgia complicada.
“Levei todos para o hotel do Fábio. O pós-cirúrgico foi difícil, e eles foram ficando no hotel. Quando eu melhorei, percebi que no hotel tinha mais espaço para o Tom, já que eu praticamente não tenho um quintal. E passear com ele, eu não ia mais conseguir. De um ano pra cá, tenho uma empregada que gosta muito de cachorro e sai com os meus todos os dias. Eu já não posso. Mas o Tom, eu ia visitar no início, até que percebi que ele ficava triste quando me via, e eu também. O que me consola é que no Fábio tratava muito bem dele”, disse.
Foto: Divulgação

Fogos proibidos

Em São Pedro, a soltura de fogos de artifício com estampido é proibida por lei. Isso, no entanto, não impediu que os explosivos fossem utilizados no Réveillon.
O ativista Haroldo Botta, morador da cidade, criticou o descaso do poder público em relação à legislação.
“Desde que a lei foi aprovada, não foi colocado faixas, panfletos, nada, é como se a lei não existisse. Não foi feito nada por parte da prefeitura”, disse. Haroldo condenou ainda a extinção da Secretaria de Meio Ambiente de São Pedro e a falta de viaturas e soldados da Guarda Civil Municipal (GCM) para impedir que a lei seja descumprida. “Aqui só tem uma viatura da GCM. Antigamente, em outras gestões, havia até 70 soldados da guarda municipal, hoje tem 18. Então fica difícil”, lamentou.
Ele se comprometeu a fazer uma representação no Ministério Público para apurar as responsabilidades sobre o caso. “Por que a prefeitura não tomou providências se sabia que esta situação iria acontecer?”, questionou.
Um boletim de ocorrência para denunciar o caso foi registrado em uma delegacia.

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