Investigação

Laudo indica que tigres do zoo de Brasília morreram por perda de sangue e estresse

Zoológico de Brasília/Divulgação

O laudo foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)


O laudo técnico sobre as mortes de Maya e Dandy, tigres-brancos-de-bengala que eram explorados para entretenimento humano pelo Zoológico de Brasília, aponta como prováveis causas das mortes perda de sangue e estresse agudo.

Zoológico de Brasília/Divulgação

Os tigres, que eram irmãos, morreram no intervalo de uma semana, entre o final de setembro e o início de outubro, após passarem por intervenções feitas por veterinários. O laudo afirma que a idade avançada dos animais, que tinham 10 anos, contribuiu para que eles não resistissem a sucessivos tratamentos.

O zoológico disse que Maya sofria de uma infecção uterina e que foi submetida a cirurgias para solucionar o problema. Ela teria morrido no dia 6 de outubro durante o último procedimento. As informações são do Correio Braziliense.

No laudo, consta que “complicações pós-operatórias desde a primeira cirurgia culminaram na retirada de parte do intestino” da tigresa e, como consequência, “o animal desenvolveu a síndrome do intestino curto, sendo esta uma das causas do óbito”.

Fragmentos de órgãos de Dandy foram analisados por técnicos do Laboratório de Diagnóstico Patológico Veterinário do Hospital Veterinário de Grandes Animais, da Universidade de Brasília (UnB).

Dandy foi submetido a exames para descobrir se ele poderia fazer uma transfusão de sangue para Maya, que havia sido operada. Com o resultado, descobriu-se que ele estava doente e, então, o animal passou a ser tratado. No dia 29 de setembro, o tigre teria acordado apático e sem reagir a estímulos.

O relatório aponta que “alterações significativas foram encontradas nos pulmões, fígado e na musculatura” de Dandy e que essas alterações são compatíveis com “insuficiência respiratória” causada por “estresse agudo”. “Considerando que se trata de um animal selvagem, esta parece ser a causa mais provável do óbito”, diz o laudo.

Zoológico de Brasília/Divulgação

O resultado da necrópsia indicou que o tigre participava de “atividades constantes de condicionamento para administrar o seu “temperamento mais agressivo” e que, durante essas atividades, profissionais tentavam coletar sangue de Dandy sem usar contenção. Porém, o tigre sempre teria precisado de contenção física ou de sedativos para ser submetido a exames.

Segundo o laudo, o tigre apresentava lesões nos órgãos compatíveis com lesões nas fibras musculares, que “podem ser encontradas em qualquer espécie, principalmente em animais selvagens”.

Para os técnicos que elaboraram o laudo, a idade dos tigres pode ter agravado o quadro de saúde deles. O documento foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).


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