Aquecimento Global

Estudo revela o impacto das mudanças climáticas nos pinguins da Antártica

Uma nova pesquisa revela como os pinguins estão lidando com mais de um século de impactos humanos na Antártica e porque algumas espécies são vencedoras ou perdedoras neste ecossistema em rápida mudança

Pinguim da espécie gentoo salta de um bloco de gelo no porto de Mikkelsen, na Península Antártica. | Foto: Kelton McMahon
Pinguim da espécie gentoo salta de um bloco de gelo no porto de Mikkelsen, na Península Antártica. | Foto: Kelton McMahon

Os pinguins antárticos estão entre os animais mais atingidos pelas mudanças climáticas, sofrendo grandes transformações em seu habitat natural à medida que as temperaturas e a atividade humana na região aumentam. Uma nova pesquisa revela como os pinguins estão lidando com mais de um século de impactos humanos na Antártica e porque algumas espécies são vencedoras ou perdedoras neste ecossistema em rápida mudança.

Pesquisadores da Universidade de Oxford, Universidade Estadual da Louisiana, Universidade de Rhode Island, Universidade da Califórnia de Santa Cruz e Universidade de Saskatchewan estudaram populações de pinguins com o objetivo de entender como a interferência humana nos ecossistemas antárticos, durante o último século, levou a explosões e interrupções na disponibilidade de uma importante fonte de alimento para os pinguins: o krill antártico.

“O krill antártico é um crustáceo semelhante ao camarão, que é uma importante fonte de alimento para pinguins, focas e baleias. Quando as populações de focas e baleias diminuíram devido à caça, acredita-se que isso tenha causado um excedente de krill durante o início até meados de 1900. Em tempos mais recentes, acredita-se que os efeitos combinados da pesca comercial de krill, mudança climática antropogênica e recuperação de populações de focas e baleias tenham diminuído drasticamente a abundância de krill”, diz Michael Polito, coautor principal do estudo e professor assistente no Departamento de Oceanografia e Ciências Costeiras da Universidade Estadual da Louisiana.

Neste estudo, a equipe se concentrou nas dietas dos pingüins das espécies chinstrap (Pygoscelis antarcticus) e gentoo (Pygoscelis papua), analisando os valores isotópicos estáveis de nitrogênio dos aminoácidos, que atuam como um sinal químico do que o pinguim comeu, nas penas de pinguim coletadas durante explorações da Península Antártica durante o século passado. Os resultados foram publicados em 4 de dezembro no periódico Anais da Academia Nacional de Ciências.

“Dado que os pingüins gentoo são comumente vistos como vencedores da mudança climática e pinguins chinstrap como perdedores sob o mesmo ponto de vista, queríamos investigar como as diferenças em suas dietas podem permitir que uma espécie lide com uma mudança na oferta de alimentos enquanto a outra não”, disse Tom. Hart, coautor e penguinologista do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford. “Queríamos entender por que os pinguins chinstrap tiveram um declínio populacional grave, enquanto as populações de pinguins gentoo aumentaram na Península Antártica no último meio século”.

A equipe descobriu que ambas as espécies de pinguins se alimentavam principalmente de krill durante o excedente de krill no início e meados de 1900, causado pela caça de focas e baleias. Por outro lado, durante a segunda metade do século passado, os pinguins gentoo mostraram cada vez mais uma mudança adaptativa no ato de comer estritamente krill passando a incluir peixes e lulas em suas dietas, ao contrário dos pinguins chinstrap que continuavam a se alimentar exclusivamente de krill.

“Nossos resultados indicam que a caça de mamíferos marinhos e as mudanças climáticas recentes alteraram a rede alimentar marinha antártica ao longo do século passado. Além disso, as diferentes dietas e respostas populacionais observadas nos pinguins indicam que espécies como os pinguins chinstrap, com dietas especializadas e a forte dependência do krill provavelmente continuarão em declínio à medida que as mudanças climáticas e outros impactos humanos se intensificarem”, diz Kelton McMahon, coautor principal e professor assistente da Universidade de Rhode Island.

Os autores preveem que a região da Península Antártica continuará sendo um ponto importante para as mudanças climáticas e os impactos humanos durante o próximo século, e acreditam que suas pesquisas serão benéficas na previsão de quais espécies provavelmente se sairão mal e quais irão resistir – ou até se beneficiar – com as mudanças futuras.

McMahon diz: “Ao entender como os ecossistemas do passado respondem às mudanças ambientais, podemos prever melhor as respostas futuras para gerenciar as interações homem-ambiente na Antártica”. As informações são do Science Daily.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui