Ciência

Estudo científico encontra ligação biológica entre consumo de laticínios e obesidade

Pesquisadores alertam que a inclusão de laticínios como um grupo de alimentos e a recomendação agressiva de três porções de laticínios por dia podem estar contribuindo para uma epidemia de obesidade

Foto: Adobe
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Só nos EUA, quase um em cada cinco jovens (entre dois e 19 anos) é considerado obeso – não apenas com sobrepeso, mas obeso.

Essa estatística perturbadora tornou-se realidade devido a vários fatores sociais, mas alguns estudos mostraram que as atuais diretrizes alimentares do USDA ou United States Department of Agriculture (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) não estão ajudando.

A inclusão de laticínios como um grupo de alimentos e a recomendação agressiva de três porções de laticínios por dia podem estar contribuindo para a expansão acelerada da cintura da juventude americana (e também dos adultos).

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Leucina

Uma revisão da literatura de 2012 tentou identificar a ligação biológica entre o consumo precoce de laticínios e a obesidade infantil, e o autor Bodo C. Melnik encontrou fortes evidências para sugerir que a leucina, aminoácido encontrado no leite de vaca – e nas fórmulas infantis à base de leite de vaca – é a culpada.

Aqueles que estão familiarizados com exercícios de musculação podem estar familiarizados com a leucina, pois ela é frequentemente elogiada por suas propriedades de construção muscular. É por isso que o leite ou o chocolate são tão frequentemente comercializados como alimentos de recuperação, pois o leite de vaca contém uma concentração 50% maior de leucina em comparação ao leite humano.

Embora esse aminoácido ajude a estimular o crescimento da massa muscular, ele também tem um efeito central na função da proteína mTORC1 (mTOR1). Simplisticamente, a mTOR regula o crescimento de uma célula e a leucina estimula a mTOR a entrar em ação. O resultado, de acordo com o estudo, é o aumento da resistência à insulina, formação de gordura e resistência à leptina (hormônio inibidor da fome).

Quando a leucina manda um sinal para a mTOR, ocorrem uma série de interações que resultam na adição de um grupo fosforil do Receptor de Insulina (IRS). Esse grupo fosforil adicional torna o receptor do IRS menos responsivo à insulina e a resistência à insulina estabelece as bases para a síndrome metabólica e o diabetes.

Formação de células adiposas

A mTOR também é responsável pela divisão das células adiposas e pela formação de novas células. Quando ativada pela leucina, a mTOR faz sua parte criando essas novas células adiposas – que podem resultar em um ganho de peso perceptível.

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A revisão também encontrou uma ligação entre a estimulação da mTOR e a formação de lipídios, uma vez que a mTOR desempenha um papel fundamental na produção de enzimas que suportam a criação de lipídios. Em essência, mesmo que se consuma leite desnatado, esse leite sem gordura ainda pode provocar a formação de células adiposas.

Leptina

Finalmente, a leucina – por meio da ativação da mTOR – influencia a ação da leptina. A leptina é um hormônio que sinaliza o cérebro quando estamos satisfeitos. Enquanto a mTOR realmente faz com que as células de gordura criem leptina, os pesquisadores descobriram que aqueles que consomem dietas ricas em gordura são realmente mais resistentes à leptina.

Considerando que só os americanos comem mais que o dobro da quantidade de queijo que consumiam na década de 1970, não é surpresa que essa resistência exista, considerando o fato de que o queijo é a maior fonte de ingestão de gordura saturada nos Estados Unidos.

Quando a leptina é suprimida, nossos sinais de fome desaparecem, fazendo-nos comer além do ponto de saciedade e consumir calorias em excesso que podem contribuir para quilos extras na balança.

“Leite ajuda no crescimento”

Os profissionais de marketing da indústria do leite não estão errados – o leite nos faz crescer. No entanto, quando esse crescimento se torna obesidade, podemos querer brecar seu consumo, e diminuir a ingestão de todos os seus derivados (como queijo) sob o risco de problemas sérios de saúde.

Especialmente as mães devem considerar a amamentação em vez de optar pela fórmula infantil à base de leite. A melhor comida para um bebê não é o leite de outra espécie – é o leite da própria mãe. As informações são do Plant Based News.

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