Levantamento

Área sob alerta de desmatamento na Amazônia em novembro é a maior desde 2015

Imagem registra desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP/Arquivo)

As chuvas de novembro, que costumam frear a ação dos responsáveis pelo desmatamento, não impediram que áreas continuassem sendo desmatadas neste ano


A área sob alerta de desmatamento na Amazônia em novembro é a maior registrada para o mês desde 2015. Foram registrados 563,03 km² entre 1° e 30 de novembro, contra 103,7% em 2018.

Imagem registra desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP/Arquivo)eno

Os dados indicam ainda que 8.974,31 km² estiveram sob alerta de janeiro a novembro de 2019, o que representa quase o dobro do número registrado no mesmo período de 2018, com 4.878,7 km² – um aumento de 83,9%. As informações são do portal G1.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

O levantamento foi realizado pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é ligado ao Ministério da Ciência e integra sistema de Detecção em Tempo Real (Deter), usado para indicar uma possível tendência de devastação da Amazônia. Os dados existem apenas a partir de 2015 porque novos padrões de satélite passaram a ser usados, tornando os dados obtidos desde 2004 ultrapassados.

A taxa oficial de desmatamento – que alcançou 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, registrando um aumento de 29,5% em relação ao período anterior – é medida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes).

Novembro é um mês marcado pela chuva, o que costuma diminuir o desmatamento, já que o período chuvoso desencoraja os responsáveis pelo desmate. Isso, porém, não aconteceu neste ano.

Para o climatologista Carlos Nobre, membro da Academia Brasileira de Ciências e do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, não houve mudanças na estação chuvosa na Amazônia.

“O leste da Amazônia ainda está no período seco, mas no oeste já está chovendo, então podemos descartar o clima”, disse. “Este aumento no desmatamento que permanece em novembro só reforça a conclusão que nenhuma medida que o governo tenha tomado está funcionando. Não há medidas tomadas pelo governo federal para reduzir a ilegalidade que estejam funcionando”, completou.

De acordo com a diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, os números de alerta continuam crescendo mesmo com uma defasagem do sistema na medição de 30% a 40% em relação à taxa oficial de desmatamento.

“Segundo os últimos dados do Deter, de agosto a novembro a gente tem quase 5 mil km² [sob alerta], um dado que é subestimado por 30 a 40%. No mesmo período do ano passado, esse dado foi um pouco menos de 2 mil km² e a gente nem chegou ainda ao período principal do desmatamento, que normalmente acontece no primeiro semestre de cada ano”, afirmou Ane, em entrevista à TV Globo.

Os dados do Deter são historicamente confirmados pelo balanço anual. Em relação ao levantamento mais recente do Prodes, a taxa consolidada foi 42% superior à apontada pelo Deter.

O dado preocupa, mas não surpreende, segundo Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. De acordo com ele, as políticas do governo Bolsonaro, como a redução do orçamento do Ministério do Meio Ambiente, a retirada de superintendentes do Ibama “em vários estados da Amazônia” e o projeto de regulamentação da mineração em terras indígenas influenciam no aumento do desmatamento.

“O que está destruindo a Amazônia é o incentivo à atividade ilegal”, disse. Um relatório técnico produzido pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e citado pelo secretário-executivo mostra que 85% dos desmates realizados em Mato Grosso entre agosto de 2018 e julho de 2019 foram ilegais.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou que pretende reduzir o desmatamento e eliminar o desmate ilegal em 2020. Ele não explicou, porém, como irá executar essas medidas, tampouco estabeleceu prazo para redução dos crimes ambientais.

Recentemente, o governo federal publicou uma medida provisória que visa promover a regulamentação fundiária, legalizando áreas ocupadas na Amazônia, identificando proprietários e punindo criminosos ambientais.

A medida visa ampliar em quase quatro vezes o tamanho das terras que podem ser regularizadas através da autodeclaração do ocupante frente à União, sem obrigatoriedade de vistoria de autoridades. A medida, segundo especialistas, pode regularizar grileiros e invasores de terra.

“É uma anistia a quem praticou crime de invasão de terra pública”, escreveu Brenda Brito, pesquisadora do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

“É uma brecha. O trecho diminuiu o prazo mínimo de ocupação de 5 anos para 1 ano [para a compra de terras na região]. É muito perigoso”, completou Elias Borges, secretário de política agrária da Contag, entidade que representa agricultores familiares e assentados.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui