Livre de crueldade

Alemães fazem de camisinha vegana um negócio multimilionário

Foto: Reprodução/Facebook/Einhorn

A caseína, de origem animal, presente na maior parte das camisinhas, foi substituída por um lubrificante feito de plantas nas camisinhas da empresa Einhorn


Após ouvirem vários questionamentos sobre os componentes de seus produtos, Philip Siefer e Waldemar Zeiler decidiram lançar, em 2015, uma linha de produtos de higiene sustentáveis e veganos. Para criar a empresa, eles arrecadaram 100 mil euros (R$ 460 mil) através de uma campanha de financiamento coletivo.

“O tempo todo, escutávamos a mesma pergunta por parte de doadores: ‘as camisinhas são veganas?'”, conta Siefer. “Até então, não havíamos percebido que camisinhas (tradicionais) costumam ter uma proteína animal para deixar o látex mais macio”, completa.

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Foto: Reprodução/Facebook/Einhorn

Atualmente, os produtos são responsáveis por gerar uma receita anual de aproximadamente 5 milhões de euros (quase R$ 23 milhões). As informações são da BBC.

Além do desejo de que a empresa, chamada Einhorn, vendesse produtos sustentáveis, eles queriam também que o negócio fosse justo para os funcionários.

“Depois de dez anos como empreendedor, eu via colegas e amigos ao meu redor ganhando seus milhões, mas mesmo assim sendo infelizes”, disse Siefer.

“Queríamos criar um produto que fosse fácil de vender e despachar online, e sem que tivéssemos de lidar com devoluções, que são uma das maiores fontes de custos de negócios online”, afirmou Siefer. “Camisinhas eram, então, o produto perfeito. Nem havíamos pensado se elas seriam ou não veganas”, completou.

A maior parte das camisinhas têm caseína, que vem do leite de mamíferos. Nas camisinhas da Einhorn, porém, o componente foi substituído por lubrificante natural feito de plantas. O látex também é extraído da maneira mais ecológica possível.

O mercado de camisinhas veganas também tem em seu leque a fabricante norte-americana Glyde, que lançou o produto em 2013.

Para não colaborar com o desmatamento na compra do látex, a empresa optou por boicotar as monoculturas e comprar de pequenos produtores na Tailândia que evitam pesticidas. A Einhorn também acompanha a produção do látex ao menos três meses do ano para impedir que os trabalhadores sejam submetidos a más condições de trabalho.

Os donos da empresa também assinaram um manifesto ao fundar a Einhorn por meio do qual se comprometeram a investir 50% dos lucros em projetos sustentáveis.

Em 2016, os alemães gastaram 60 bilhões de euros (R$ 275 bilhões) em produtos sustentáveis e a tendência é que esse número aumente cada vez mais.

A pesquisadora ambiental na Universidade Leuphana na cidade alemã de Lüneburg, Anna Sundermann, lembra, no entanto, que os produtos da Einhorn são bem-vindos, mas que seu efeito a longo prazo no planeta é limitado.

“Esses pequenos produtos de nicho são bons, mas precisamos mesmo é focar em áreas como mobilidade e energia, que têm o maior impacto na emissão de CO2”, disse. “Redes de empresas como a Einhorn podem fazer a diferença ao lidar com problemas sistêmicos, como criar uma rede sustentável na cadeia de suprimentos”, acrescentou.


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