Elefanta Ramba morre dois meses após ser transferida para santuário


Ramba era a última elefanta explorada por circos do Chile. Durante 40 anos, ela foi maltratada para entretenimento humano


A elefanta Ramba, de 56 anos, morreu dois meses após ser transferida para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Mato Grosso. Através das redes sociais, a entidade anunciou a morte do animal “com imenso pesar”.

Facebook/SEB

Ramba era a última elefanta explorada por circos do Chile. Durante 40 anos, ela foi maltratada para entretenimento humano.

“Nossa vovó teimosa, linda e maior que a própria vida, não tinha mais forças para lutar contra seus problemas renais. Ainda que após a necropsia tenhamos mais detalhes, sua morte, apesar de dolorosa, não nos surpreendeu tanto. Quando Ramba foi diagnosticada com doença renal, ainda no Chile, há sete anos, tínhamos muita esperança que ela conseguisse viver por mais um ano, no mínimo. Milagrosamente esse ano transformou-se em sete, dando-lhe forças que a ajudaram a chegar ao Santuário”, escreveu o SEB.

“Parece que os elefantes possuem um conhecimento profundo e inexplicável sobre a vida. Prometemos, repetidas vezes, que ela viria para o Santuário e ela lutou para chegar até aqui”, completou.

O santuário lembrou que Ramba era alegre e que se entregou a sua nova vida, mas depois desistiu de lutar porque estava cansada.

“Na manhã de quinta-feira, 26 de dezembro, Rana e Maia estavam no galpão sem Ramba. Isso acontecia sempre, Ramba gostava de explorar mais que Rana e, ocasionalmente, retornava à pastagem para um bom banho de lama pela manhã, enquanto Rana ficava próxima ao galpão antecipando o horário do café da manhã”, contou o SEB.

“Saímos para encontrá-la e a descobrimos em um dos seus lugares favoritos, o recinto número 4, além do riacho. Ela parecia estar dormindo. Sua morte deve ter sido repentina pois a grama ao seu redor estava intocada. Apenas um lindo elefante, deitado em um belo pasto, os olhos suavemente fechados e o rosto doce, tão calmo como costumava ser”, acrescentou.

O corpo de Ramba foi, então, levado até Rana, que se aproximou, arregalou os olhos e a cheirou repetidas em vezes. Em seguida, murmurou baixinho. “Cheirou e tocou todo o corpo de Ramba parecendo tentar entender o que tinha acontecido. Após vários minutos ela ficou quietinha e permaneceu ao lado de Ramba, pastando. E ali ficou, o resto do dia ao lado da amiga”, escreveu.

Maia também se despediu da elefanta. “Ela também a cheirou e a tocou, ficando por cima dela, como costumava fazer com Guida, certificando-se que sua barriga a tocava.
Isso chamou a atenção de Rana por um momento, que pareceu querer protegê-la da barriga de Maia, mas se acalmou ao ver que suas intenções eram gentis e amorosas”, disse.

Após dar adeus a sua amiga, Maia foi embora. De acordo com o santuário, as duas elefantas “demonstraram uma delicada reverência em honrar a amiga”.

“Ramba foi especial. Havia algo em sua presença que nos trazia de volta à razão e fazia com que nossos corações sorrissem, ao mesmo tempo. Nos apaixonamos por ela, quando a conhecemos, há sete anos. Ela foi parte do motivo de seguirmos em frente com a ideia de um Santuário no Brasil. Não havia como deixá-la para trás ou esquecê-la depois de a ter conhecido. Parece que não somente os humanos se sentiram assim. Ramba teve um efeito de sustentação sobre Maia, Rana a adorava e até Lady parecia relaxar e confiar em sua presença”, afirmou o SEB.

O santuário lembrou que cada dia de Ramba no santuário seria uma dádiva e que todos foram tocados por ela. “Embora nosso desejo seja que todos os elefantes possam ter mais tempo no Santuário, somos muito agradecidos por Ramba ter, aqui, encontrado sua alegria”, concluiu.


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