Burocracia impede salvamento de golfinho emaranhado em linhas e anzóis de pesca


Golfinho com linha de pesca e anzóis presos na boca e foi encontrado morto na quarta-feira (11) | Facebook/WDC The Port Dolphins)

A morte de um golfinho preso em linhas de pesca e anzóis que ficaram enrolados em sua garganta por quase três semanas foi parcialmente atribuída à “burocracia” por um Centro de Resgate Marinho de Adelaide (cidade na Austrália), que afirma que problemas de licenciamento os impediam de salvar o animal.

O golfinho – chamado de Star (Estrela) – foi encontrado morto em uma área de manguezais no Santuário de Golfinhos de Adelaide, no rio Port, na quarta-feira (11).

O santuário tem sido objeto de preocupações com o aumento de mortes de golfinhos nos últimos anos.

Nos últimos dois anos, 11 dos 13 golfinhos nascidos no rio Port morreram – muitos deles depois de serem atingidos por barcos.

O presidente da Organização Australiana de Pesquisa e Salvamento da Vida Marinha, Aaron Machado, disse na manhã de quinta-feira (12) que a morte de Star era “absolutamente evitável”.

Vários filhotes foram encontrados mortos no rio no ano passado | Foto: Marianna Boorman
Vários filhotes foram encontrados mortos no rio no ano passado | Foto: Marianna Boorman

“Lançamos uma operação de resgate na quarta-feira (11) em conjunto com os Departamento de Parques Nacionais e, após uma pesquisa de seis horas, o corpo do golfinho foi encontrado flutuando em um riacho próximo do mangue”, disse ele à ABC Radio Adelaide.

Foi relatado que o golfinho sofria há quase três semanas preso nos equipamentos de pesca, mas Machado disse que a “burocracia” e “procedimento engessados” os impediram de socorrê-lo mais cedo.

Ele disse que o Santuário de Golfinhos de Adelaide era governado por uma lei adicional que não permitia que os socorristas atendessem ao animal com uma rede de grandes dimensões presa ao corpo.

Equipes de resgate proibidas de “tocar os animais”

Ele disse que para utilizar legalmente a rede para atender o animal, a equipe de resgate precisava de uma isenção ministerial.

“A regulação me proíbe de tocar nesses animais sem o pessoal do departamento comigo o tempo todo”, disse ele.

“O problema era ter a licença em vigor, que me permitisse colocar essa rede, que era de 120m x 3m, em torno de um golfinho”.

Existem muitos golfinhos conhecidos em Port River, incluindo este filhote que morreu no início deste ano Foto: Marianna Boorman
Existem muitos golfinhos conhecidos em Port River, incluindo este filhote que morreu no início deste ano Foto: Marianna Boorman

Ele disse que o departamento interrompeu a “operação toda” que atrasou o resgate até quarta-feira (11) desta semana, mas já era tarde demais.

“Infelizmente, eu dei entrada na minha inscrição na semana passada, esperando que o procedimento fosse feito em dois a três dias e isso não aconteceu”, disse ele.

“Nesse caso, a “burrocracia” e a burocracia de vários regulamentos que cuidam desse corpo de água e, portanto, dos animais dentro dele, infelizmente é o que contribuiu para essa morte”.

Embora o Sr. Machado tenha dito que os especialistas em vida marinha estavam “furiosos” e “decepcionados” com a burocracia, ele não colocou a culpa no departamento.
“Isso não é nada contra o departamento, é um pedaço de papel que garante a proteção desses animais e do meio ambiente”, disse ele.

“Mas, infelizmente, há outras pessoas que não fazem parte do departamento que influenciam esse tipo de coisa e nos impedem de tomar as medidas necessárias. Por exemplo, o uso de um dardo para administrar antibióticos há duas semanas, como solicitei, nos daria mais tempo, porque a infecção foi o que acabou matando esse animal, mas isso foi considerado invasivo”.

“Todos os esforços possíveis foram feitos para salvar o golfinho”

Um porta-voz do governo do estado disse que a morte do golfinho foi profundamente lamentada por todos os envolvidos.

“A informação que recebemos é que foram feitos todos os esforços possíveis para salvar o golfinho, mas condições adversas dificultaram as tentativas de resgate”, disse o porta-voz.

“Algumas questões foram levantadas sobre a pontualidade das aprovações e isso é algo que está sendo analisado de perto para garantir que qualquer burocracia desnecessária seja removida”.

“Agradecemos os esforços do sr. Machado em ajudar e trabalharemos com ele para garantir que futuras operações de resgate sejam realizadas o mais rápido possível”.

O porta-voz disse que o golfinho era conhecido por se colocar em “situação vulnerável” em torno de pessoas que pescavam no Santuário de Golfinhos de Adelaide.

“Nos últimos 12 meses, o golfinho foi observado pegando iscas e restos de pescadores que eram jogados no mar, tornando-o vulnerável a ferimentos graves por emaranhamento em equipamentos e ingestão de anzóis”, disse o porta-voz. As informações são da ABC News.

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