Inclusão

Primeiro Encontro Nacional de Animais Especiais acontece no próximo sábado em SP

Estarão presentes cães com emocionantes histórias de superação e que inspiraram o evento. Haverá ensaio fotográfico com animais portadores de deficiências físicas, palestras, festa para cães aniversariantes e sorteio de brindes

Thessa Petersen com Maju. Arquivo pessoal

“Majuzinha é carismática e mostra como encarar os desafios da vida com entusiasmo e força de vontade! Maju traz consigo uma lição de superação, dedicação e amor!”, diz a veterinária Thessa Petersen Dattelkremer, tutora da cadelinha que, com apenas 30 dias de vida foi descartada em um canil ao perceberem que ela não movimentava as patas traseiras.

“Maju não controla urina e fezes precisando de ajuda para fazê-los. Ela usa fraldas e calcinhas charmosas.  Mas após alguns meses de tratamento voltou a andar de um jeitinho todo especial”, continua a veterinária.

Casos de abandono como o de Maju são comuns, porém os finais felizes bem mais raros. Por isso, seis tutoras de cães com algum tipo de deficiência física, que atuam na inclusão desses animais, resolveram criar o “Primeiro Encontro Nacional de Pets Especiais” que acontece no próximo sábado (16/11), no Centro de Tradições Veganas, em SP.

“O principal objetivo do encontro é ajudar pets especiais a terem qualidade de vida e cada vez mais visibilidade. Temos que mostrar que há opção à eutanásia. Eles podem ser felizes, apesar das deficiências”, diz a advogada Flavia Panella, tutora da cadelinha Olivinha que foi deixada num abrigo após ficar paraplégica.

Flávia Panella com Olivinha. Arquivo pessoal

“Não sabemos se Olivinha foi atacada por um cão ou se foi vítima de maus-tratos, pois houve fratura da coluna e de uma costela. Devido à lesão, Olivinha não conseguiu mais fazer xixi sozinha, necessitando de uma `mãozinha´ humana, o que dificultava sua adoção. Mas o amor à primeira vista foi tão forte que não tivemos dúvida que poderíamos vencer esses obstáculos, afinal o que não fazemos por amor? Vai fazer um ano que a Olivinha está com sua família, ensinando todos os dias o que é resiliência, superação e amor incondicional”, conta.

A fundadora do Projeto Rodinhas para Todos (SP), Mariana Camargo, também tem uma cachorrinha especial chamada Olívia:  “É uma Golden Retriever que caiu de uma laje de sete metros de altura com apenas três meses de vida. Fraturou a coluna e parou de andar. Seus antigos tutores não a quiseram nessa situação e optaram pela eutanásia. O veterinário não realizou o procedimento e levou Olívia para uma instituição. Vimos sua história nas redes sócias e nos interessamos em adota-lá”.

Mariana Camargo e Olívia. Arquivo pessoal.

Olívia tem hoje dois anos e apenas a mobilidade de uma pata dianteira. “Ela não faz suas necessidades sozinha e depende 100% da gente, mas isso nunca nos desanimou. Ela nos passa muita paz e um amor incondicional misturado com sua vontade de viver! Ela foi nossa inspiração para criar o Projeto Rodinhas para Todos”, explica Mariana. As duas Olívias estarão comemorando aniversário durante o evento.

Larissa Onuki, idealizadora do Projeto Cão de Rodinhas, de Curitiba (PR), estará apresentando no evento um calendário comunitário com fotos de animais especiais: “A ideia é unir os cães especiais em um mesmo objetivo, que é trazer mais visibilidade aos animais com deficiência. Cada tutor poderá vender seu calendário e ajudar no tratamento de seus pets”.

Larissa é tutora do cão Argos que estava com um ano e meio quando foi atropelado, teve traumatismo craniano, pulmão perfurado e coluna fraturada: “Ele lutou por sua vida bravamente e venceu! A única sequela que ficou foi a paralisia. Não desistimos dele jamais e, mesmo com várias indicações para eutanásia, seguimos em frente! A alegria e agito dele continuam sem igual. Totalmente adaptado, corre por aí com a cadeirinha de rodas e é muito brincalhão”.

Larissa Tanaka e Argos. Arquivo pessoal

Argos inspirou a criação do Projeto Cão de Rodinhas. “Temos um grupo de apoio que se reúne mensalmente com mais de 50 tutores de pets especiais. Arrecadamos doações e ajudamos 27 afilhados especiais que se encontram em protetoras independentes. Argos também faz visitas a hospitais e escolas, levando a mensagem de amor, inclusão e superação!”.

Vítimas da indústria de venda de cães

 A empresária Sílvia Rayssa Almeida Evangelista adotou Maya que era matriz de um canil: “Ela sofreu um grande trauma em uma costela, que por sua vez afetou sua medula causando paraplegia. Deixando de gerar lucro para o canil, optaram por descartá-la de forma cruel. Maya foi resgatada em um estado crítico. Passou por longos tratamentos, precisou de transfusão de sangue e foi diagnosticada como doente renal crônica”.

Mas a vida de Maya deu uma reviravolta: “Superando todas as expectativas, se mostrou mais forte do que aquilo que a feriu e hoje carrega consigo cicatrizes, como uma marca de superação que uma guerreira possui. Há três anos com sua eterna família, Maya mostra dia após dia que não existem limitações quando se tem amor!”.

Silvia Rayssa e Maya. Arquivo pessoal

Silvia conta que apesar da deficiência física, Maya demonstra ser possível uma vida normal: Ela pode viajar, se aventurar…  Nossa missão, juntamente com a Maya, é mostrar que existe uma luz no fim do túnel. É o que você faz com o dom da vida que determina quem você é!”.

Juliana Bertoli, outra empresária apaixonada por animais, adotou Joaquim, cego dos dois olhinhos depois de ser explorado como matriz de canil clandestino. Ela se encantou também por José Bananinha, vítima de acidente.

“Houve o rompimento dos ligamentos dos dois joelhinhos e uma fratura no tarso. Sem o socorro de sua então `família´ e com reflexos de dor, ele teve que inventar uma maneira peculiar de andar para poder se locomover, tirando do chão as patas traseiras”. Apesar de ter as duas patas traseiras atrofiadas, recuperou parcialmente os movimentos depois de um tratamento.

Juliana Bertoli com Joaquim e João Bananinha. Arquivo pessoal

Devem participar do encontro cães especiais de Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Florianópolis, Minas Gerais e Rio, mas o evento também é aberto para gatos especiais.

O evento acontece das 11h às 17h, no Centro de Tradições Veganas (Santana/SP), que é um misto de restaurante, loja e brechó com ações voltadas ao veganismo e à proteção dos animais. O ingresso de R$ 15 dá direito às palestras, atividades e área fechada para os cães. Toda a renda será revertida para compra de cadeirinhas de rodas para animais de tutores carentes. O Centro fica na Praça Campo de Bagatelle, 300 – Santana.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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