Estatísticas

Países onde os gatos são os preferidos registram também altos índices de extermínio desses animais

Enquanto os gatos adentram cada vez mais os lares, inclusive no Brasil, o que tem acontecido com aqueles em situação de rua? Cidades como Los Angeles e Paris, por exemplo, escolhem o extermínio para diminuir a população felina urbana

Cresce o número de gatos nos lares, mas muitos ainda sofrem abandono. Foto site ONG Best Friends

Os gatos vão dominar o mundo. É o que dizem várias pesquisas e tendências, já que a falta de espaço (verticalização das cidades com apartamentos cada vez menores) e a escassez de tempo nos grandes centros urbanos se encaixam melhor com a adoção dos pequenos felinos.

Segundo o site “Statista” especializado em estatísticas, “os cães se destacaram como o principal animal de estimação em todo o mundo em 2018: eram 471 milhões de cães e 373 milhões de gatos”. No entanto, os gatos são maioria nos EUA, Brasil, Rússia, Alemanha, França e Japão. Mas qual será o tratamento dado aos gatos em situação de rua nesses países?

Extermínio de “gatinhos” em Los Angeles

De acordo com a Pesquisa Nacional de Proprietários de Animais de Estimação 2017-2018 da American Pet Products Association são aproximadamente 95,6 milhões de gatos vivendo em domicílios nos Estados Unidos contra 89,7 cães.

Filhotes de gato são induzidos à morte em Los Angeles (EUA). Foto site ONG Best Friends

Mas embora os números apontem que os gatos estão “reinando” mais que os cães nos lares americanos, 860 mil deles são mortos todos os anos naquele país sendo a maioria animais perdidos, ou seja, que já tiveram um lar. Anualmente, 1,5 milhão de animais são induzidos à morte nos EUA sendo 670 mil cães. Em alguns locais ainda se usa câmaras de gás do tamanho de um frigobar onde são colocados até 3 animais.

Como se não bastasse, a turística Los Angeles tem um lado bem obscuro: o extermínio de gatinhos no período entre março e outubro que é quando há maior incidência de cios e nascimento de filhotes.

E o pior: o extermínio é feito, inclusive, por alguns abrigos privados que alegam não ter recursos e nem mão de obra para alimentar os filhotes com mamadeira.

ONGs procuram salvar filhotes condenados à morte, mas milhares não escapam ao triste destino. Foto site ONG Best Friends

Segundo estimativa da ASPCA – American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (Sociedade Americana para a Prevenção da Crueldade contra Animais) são 34 mil gatinhos que entram em abrigos de Los Angeles anualmente, sendo 90% no período de extermínio.

Por isso, toda sexta-feira, a ASPCA salva 30 filhotes levando-os para abrigos de Seattle e Portland. O trabalho de resgate de gatinhos é também feito pela ONG Best Friends (Melhores Amigos) em abrigos com voluntários encarregados da alimentação com mamadeira. Um vídeo da ONG mostra esse trabalho:

A Michelson Found Animals Foundation (Fundação de Animais Encontrados em Michelson) em Culver City (cidade no Condado de Los Angeles) também tem um programa voltado para o resgate de filhotes que certamente seriam mortos entre a primavera e o verão dos EUA.

Paris, a cidade luz, também mata gatos

A França tem várias leis em defesa dos animais, mas um cenário muito triste e cruel ainda persiste por lá em pleno século XXI, principalmente em Paris: o governo ainda mata os animais que não são adotados dentro de um prazo.

“São mais de 11 milhões de gatos vadios! Muitas vezes abusados e frequentemente capturados e sacrificados. Nosso objetivo é interromper a reprodução descontrolada, criando uma campanha nacional de esterilização para frustrar as operações de captura para fins de eutanásia, ainda muito comuns em nosso país”, diz a atriz e ativista Brigitte Bardot no site de sua Fundação.

Em alguns países vigoram leis de proteção animal e, ao mesmo tempo, animais saudáveis são mortos em canis municipais. Foto site Fundação de Animais Encontrados em Michelson

A atriz conseguiu alterar o Código Rural para que gatos vadios esterilizados possam ser liberados em seu local de captura. Além disso, a FBB – Fundação Brigitte Bardot, em 2018, ajudou associações, protetores independentes e municípios esterilizando 11 mil gatos. Este ano as castrações continuaram.

Dois pesos e duas medidas para os gatos no Brasil

De acordo com o IBGE em 2018 havia no país 54,2 milhões de cães e 23,9 milhões de gatos. Segundo a pesquisa, o gato foi o animal que mais cresceu nos lares brasileiros com alta de 8,1% desde 2013. A maior concentração de gatos está em São Paulo (21,6%), Rio de Janeiro (9,1%), Minas Gerais (7,2%) e Rio Grande do Sul (7,2%).

Matéria de capa da mais recente edição da Veja São Paulo fala dessa tendência e de como o comércio tem se voltado para esse novo nicho, afinal, 1,25 milhão dos gatos está em SP. São serviços, eventos e produtos cada vez mais especializados em gatos para atender uma demanda que cresce sem parar.

Os gatos estão tão em evidência que até foram parar na capa de importante revista brasileira

Embora os gatos estejam dominando os lares, para os que vivem em situação de rua o cenário não é dos melhores. Salvo iniciativas de controle populacional por meio do método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao lugar de origem – recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) –  os gatos são vítimas de envenenamento em massa em praticamente todos os bairros de SP (talvez do Brasil).

Além disso, colônias de gatos de cemitérios são frequentemente alvo de crueldade extrema. A situação só não é pior em SP porque desde 2008 a Lei 12.916 passou a proibir a matança de animais em situação de rua e instituiu proteção ao “animal comunitário” – categoria na qual gatos de praças, parques, cemitérios e outros locais públicos se encaixam, embora nem sempre sejam respeitados conforme a lei.

Países com mais gatos domiciliados

Como dito acima, os EUA disparam como país com maior número de gatos domiciliados: 95,6 milhões. O Brasil atingiu a segunda posição com 23,9 milhões. Em terceiro lugar a Rússia cuja população de gatos era de 22,5 milhões em 2018.

De acordo com o site “Statista” em seguida vem a Alemanha com 14, 5 milhões e depois a França com 13, 5 milhões de gatos. O Reino Unido tem 7, 5 milhões, a Itália 7, 3 milhões, a Polônia 6, 4 milhões, a Romênia 4, 3 milhões e a Espanha pouco mais de 3 milhões.

EUA, Brasil, Rússia, Alemanha, França e Japão são os países com maior número de gatos. Foto Site Best Friends

Conforme levantamento da Japan Pet Food Association, são cerca de 9,6 milhões de gatos domesticados no Japão – conhecido como um país amante dos felinos e com diversas ilhas dominadas por gatos.

Mas vale ressaltar: em todos os países citados existem iniciativas de CED para controle populacional de gatos em situação de rua e comunitários (que é uma tendência mundial por ser o método mais eficaz e ético), mas em nenhum deles existe “lei” proibindo que os gatos sejam mortos em canis municipais, muitas vezes levados pelos próprios tutores.

No Brasil existem leis proibindo o extermínio de animais em situação de rua em diversos estados e, em 2018, passou a vigorar em Portugal, onde existe 1, 5 milhão de gatos domiciliados, uma lei federal com essa mesma proibição.

Que os gatos estão ganhando os lares é fato, resta saber se o respeito a eles acompanhará o mesmo ritmo.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

 

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