Estados Unidos

Flórida apresenta projeto de lei que proíbe o comércio de barbatanas de tubarão

A prática conhecida como “shark finning” consiste em cortar a barbatana do tubarão com o animal ainda vivo e descartar o corpo no mar

Foto: Shark Allies
Foto: Shark Allies

Atualmente, a Flórida é o centro do comércio de barbatanas de tubarão nos EUA, com Miami no topo da lista do maior importador do país.

O comércio global de barbatanas, impulsionado principalmente pela demanda por sopa de barbatana de tubarão na Ásia, está devastando as populações de tubarões em todo o mundo e levando à extinção de muitas espécies. Mais de 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano e, como resultado, algumas populações de tubarões caíram mais de 90% nas últimas décadas.

A sopa de barbatana de tubarão não tem valor nutricional e o restante do tubarão geralmente é descartado após o corte das barbatanas, tornando essa prática semelhante à caça de elefantes por seu marfim ou rinocerontes por seu chifre. Assim como esses outros produtos de espécies ameaçadas, a única maneira de acabar com a matança incessante é não permitir a posse, a venda ou o comércio do produto.

A ONG Shark Allies (Aliados dos Tubarões) está na vanguarda da legislação comercial sobre barbatanas de tubarão, começando com o projeto de lei em 2010 que fez do Havaí o primeiro estado a tornar ilegal a posse, venda ou distribuição de barbatanas de tubarão. Depois disso, o exemplo se ampliou e o Havaí se tornou um modelo para outros 12 estados dos EUA, 3 territórios e muitas Nações das Ilhas do Pacífico que seguiram o exemplo. Agora, Stefanie Brendl, a mulher por trás do Shark Allies, está de olho na Flórida.

Dois novos projetos de lei introduzidos no legislativo do estado, visam proibir a importação, exportação e venda de barbatanas de tubarão na Flórida. O projeto de lei do Senado, SB680, foi apresentado pelo senador Travis Hutson e o projeto correspondente na Câmara, HB401, foi apresentado pela deputada estadual Kristin Jacobs, segundo informações do One Green Planet.

Embora a prática conhecida como “shark finning”, ato de arrancar as barbatanas de tubarões e o restante dos animais ser descartado enquanto eles ainda estão vivos, seja proibida nos EUA, as barbatanas ainda podem ser retiradas de tubarões capturados legalmente ou importadas de países sem proibições.

Essas brechas tornaram quase impossível aplicar a lei e as regulamentações atuais não se mostraram eficazes. Como um estado cercado por água e com portos que são centros de comércio internacional, é importante que a Flórida tome uma posição firme e definitiva sobre o assunto.

Os tubarões não são apenas cruciais para o ecossistema e o meio ambiente, mas nesse caso, também beneficiam enormemente a economia da Flórida. Antes da próxima sessão legislativa, a Shark Allies fez uma parceria com a Guy Harvey Ocean Foundation para esclarecer a importância dos tubarões para a economia da Flórida.

A renda do turismo de mergulho e da observação de tubarões na Flórida pode chegar a mais de 220 milhões de dólares por ano, em comparação com apenas 1 milhão de dólares proveniente das exportações de barbatanas de tubarões dos EUA. Populações saudáveis de tubarões alimentam as indústrias de turismo e mergulho, contribuindo diretamente para a economia.


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