Abuso e crueldade

Filhotes de elefantes são criados e treinados para abastecer a indústria do turismo na Tailândia

O berçário de elefantes Maesa Elephant Nursery mantém mais de 80 animais em suas instalações, todos explorados em shows para turistas. As elefantas vivem grávidas e os filhotes seguem o mesmo destino dos pais

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Dezenas de elefantes estão sendo cruelmente abusados e mantidos em cativeiro em um acampamento no norte da Tailândia, onde são criados com o objetivo de se tornarem “artistas” lucrativos.

Os filhotes são retirados de suas mães quando têm apenas dois anos de idade e forçados a aprender truques para apresentações no berçário de elefantes Maesa Elephant.

Filmagens feitas no interior da instalação pela ONG Moving Animals – para um projeto de fotojornalismo e filmagem que trabalha na exposição das indústrias de animais em todo o mundo – mostra os jovens elefantes sendo atingidos e furados por ganchos agudos de metal (bullhooks), puxados pelos ouvidos e acorrentados, balançando em perigo.

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Esse tipo de abuso faz parte do “phajaan” – um processo tradicional de quebrar o espírito (por meio de sofrimento, humilhações, dores e privações) de um jovem elefante.

Os elefantes são amarrados com cordas, confinados em cercados de madeira apertados, passam fome e são espancados repetidamente com ganchos, pregos e martelos até que sua vontade seja esmagada e destruída.

A ativista Amy Jones disse que as investigações do grupo em toda a Ásia mostraram repetidamente elefantes enfrentando um sofrimento físico e emocional “implacável”.

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

“É de partir o coração pensar que esses bebês inocentes do Maesa Elephant Nursery estão no início de uma vida inteira de cativeiro que vai incluir serem espetados com ganchos agudos, performances cruéis e estresse psicológico severo”, disse ela.

“As empresas de viagens enganam os turistas e os fazem apoiar o abuso de animais ao pagar por esse shows onde imperam o abuso e a crueldade”.

“Para salvar outra geração de filhotes de elefantes de uma vida de miséria, as agências devem ser proibidas de vender ingressos para as ‘atrações com elefantes’.”

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Mais de 80 elefantes vivem em cativeiro no local, que funciona há mais de 40 anos.

O objetivo é que os elefantes entretenham os turistas que vem ver os filhotes no berçário e assistam aos animais mais velhos fazendo os “shows”.

Eles são ensinados a pintar quadros com suas trombas, jogar dardos afiados em balões de gás e chutar bolas de futebol em gols.

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Eles também são forçados a puxar e empilhar troncos pesados.

Mais de 20 animais participam das apresentações que são executadas três vezes ao dia.

O acampamento é um dos muitos em que os filhotes são maltratados e explorados por dinheiro.

Este ano, o elefante bebê batizado de Dumbo, do zoológico de Phuket (Tailândia), ganhou as manchetes quando foi forçado a se apresentar até que suas pernas se quebrassem. Ele morreu.

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Preocupações sobre os sistemas de criação existentes em muitos viveiros de elefantes vieram à tona com a divulgação das imagens.

Uma elefanta adulta que vive no local já havia dado à luz seis bebês.

Como os elefantes passam de 18 a 22 meses na gravidez, a mãe geralmente passa a maior parte de sua vida grávida.

Foto: Amy Jones/Moving Animals
Foto: Amy Jones/Moving Animals

Eles são frequentemente forçados a continuar trabalhando e se apresentando durante a gravidez.

A Moving Animals e a Save the Asian Elephants – uma associação sem fins lucrativos – estão pedindo que sejam implementadas leis que tornem ilegal para as empresas anunciar ou lucrar com a venda de ingressos para lugares como o berçário de elefantes Maesa.

Para expressar seu apoio, assine a petição aqui.

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