Desmatamento

Filhote de águia é resgatado após ter seu habitat destruído pela pecuária

Foto: Reprodução

O gavião-real, também conhecido como harpia, será submetido a um processo de reabilitação para, depois, ser devolvido à natureza


Um filhote de águia foi resgatado em Colniza, no Mato Grosso, após seu habitat ser destruído para formação de pastagem para criação de bois explorados para consumo. O gavião-real, considerado a maior águia do mundo e de espécie rara, foi domesticado por trabalhadores rurais que o encontraram após a castanheira onde estava seu ninho ter sido derrubada.

O resgate foi feito pelo professor de engenharia florestal da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus Alta Floresta, Éverton Miranda, que integra um projeto de preservação do gavião-real. O resgate foi feito a pedido da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT).

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O animal silvestre vivia em uma área desmatada ilegalmente. Na região, cerca de 500 hectares foram destruídos pela pecuária – principal causa de desmatamento da Amazônia.

“Poder resgatar o filhote de lá é uma gota num oceano em pensar em tudo que foi perdido naquela área em termos de biodiversidade”, lamenta o professor.

O trabalhador rural que encontrou o animal revelou que cuidou dele por três meses e que estava à procura de um profissional que pudesse reintroduzir a ave na natureza. “Nosso receio era de que, por ele ter se acostumado com pessoas, se tornasse um alvo fácil para caçadores”, disse.

Preocupado com o filhote, o trabalhador entrou em contato com o secretário de Agricultura de Colniza, Hélio Mendes de Souza, que acionou a Sema, conforme noticiado pelo G1 em 8 de novembro.

A ave ficará sob a responsabilidade de uma unidade de reabilitação em Cotriguaçu. O projeto, coordenado pelo professor, é denominado “Construindo uma estratégia para a conservação da harpia na Amazônia”. Após ser reabilitada, a ave será devolvida à natureza.

A Sema publicou nota orientando a população a não domesticar animais silvestres e reiterou seu compromisso com a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável do estado de Mato Grosso.

Ninhos de harpias

Éverton descobriu, durante três anos de estudo, que é relativamente fácil encontrar ninhos do gavião-real ou harpia, como também são chamados. Segundo ele, são oferecidos R$ 500 a quem encontrar e indicar a localização de um ninho, além de uma porcentagem do valor do turismo ao dono da propriedade.

“Nossos principais parceiros são os coletores de castanha daqui do norte do estado. Eles frequentemente encontram os ninhos de harpia na região, os reportam ao projeto e recebem a recompensa financeira”, explicou.

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Encontrada no norte do Mato Grosso, a harpia está ameaçada de extinção por conta do desmatamento. Nos últimos 15 anos, 41 mil hectares foram desmatados no estado, gerando uma perda de 12 a 24 ninhos de harpia.

Além disso, é comum que esses animais sejam mortos pela população. “Por verem o animal grande e bonito o matam para simplesmente ‘ver com as mãos’ ou para prevenir predação de animais domésticos pelas harpias, algo que realmente acontece, mas que está longe de ser um problema grave”, explica o professor.

Atualmente, o projeto coordenado pelo professor monitora cerca de 30 ninhos. Segundo Éverton, o resgate desses animais deve ser feito por especialistas, pois é necessário amplo conhecimento da biologia da espécie. Até mesmo biólogos que tenham pouco ou nenhum conhecimento a respeito das águias não devem tentar resgatá-los.


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