Direitos animais

Família se torna vegana após criança de 6 anos se negar a comer carne em SP

Foto: Aline Lira/Arquivo Pessoal

Yuri afirmou à família que preferia “morrer do que comer um animal de novo”. Diante da situação, os pais do menino fizeram a transição para o veganismo


Com apenas seis anos de idade, Yuri Lira Magário se negou a comer carne. Para tentar fazer o filho mudar de ideia, a técnica em nutrição Aline Lira, de 36 anos, chegou a dizer que o menino morreria se não comesse carne – o que, obviamente, não é verdade. Yuri, no entanto, já tinha uma resposta pronta. “Prefiro morrer do que comer um animal de novo”, disse.

Foto: Aline Lira/Arquivo Pessoal

A resistência do menino levou a família a adotar o veganismo. “Ele ainda estava aprendendo a falar quando identificou que estava comendo ovo. Ele sabia que do ovo nasce o pintinho, e daí se recusou a comer”, lembra Aline, em entrevista ao G1.

Ao associar a imagem da vaca nas embalagens de leite, o garoto deixou de consumir também laticínios. Segundo a mãe, Yuri considera que “comida é comida e animal é animal”.

Para tentar driblar a resistência do garoto, a família inicialmente começou a consumir alimentos processados, que não têm a aparência da carne convencional – como salsichas e linguiças. Isso, porém, não funcionou por muito tempo.

“Depois que o Yuri passou a se recusar a comer carne, pediu para que ninguém comesse com ele na mesa, ou que tivesse algum animal morto na geladeira. Desde então, passamos a comprar tudo de origem vegetal”, comenta Aline.

Foto: Aline Lira/Arquivo Pessoal

A partir de então, Aline começou a pesquisar e descobriu o veganismo. Já o pai de Yuri, o médico Fabio Magário, passou a buscar informações sobre os prejuízos à saúde causados pelos produtos de origem animal.

“Meu marido descobriu a possibilidade de vivermos até mesmo melhor do que antes, em relação à saúde, devido à segurança alimentar em não comer animais”, explica Aline. “Os exames do Yuri estão ótimos. Ele tem um ano a menos do que a turma da escola, mas acompanha o crescimento físico e se destaca no desempenho intelectual”, completa.

Atualmente, a família se alimenta apenas de produtos de origem vegetal e cria Léo, de 10 meses, seguindo os preceitos do veganismo.

De acordo com Aline, o filho fica incomodado com o preconceito que algumas pessoas têm com o veganismo. Um dos episódios que chateou o garoto aconteceu durante uma festa infantil, na qual a maior parte dos alimentos eram vegetais.

“Dois amigos dele ficaram debochando, dizendo que vegano não presta, que é um lixo. Outros convidados da anfitriã também falavam mal da comida. Ele veio chorando, dizendo que não queria mais ser vegano. Mas depois explicou que só queria que eu não falasse para mais ninguém. Sinto que ele passou a se envergonhar um pouco e se sentiu muito mal com isso”, desabafa a mãe.

Foto: Aline Lira/Arquivo Pessoal

Conscientização

Para levar a informação sobre veganismo para mais pessoas, Aline decidiu criar um perfil no Instagram.

“As pessoas perguntavam muito o que a gente comia, e eu ficava mostrando fotos no celular. Decidi colocar tudo lá (no Instagram) para ficar mais fácil. Mas isso me ajudou a ter mais inspiração, porque descobri vários perfis veganos, e passei a seguir todos”, diz ao G1.

Na rede social, Aline compartilha sugestões de pratos, indica lugares que têm comida vegana e registra momentos com os filhos. O perfil tem feito sucesso e, até o momento, a família vegana tem mais de 26 mil seguidores.

“Chegam mães perdidas, porque os filhos estão se recusando a comer animais. Imagino que hoje há uma nova geração com consciência expandida”, explica Aline, ao falar das mensagens que recebe através do Instagram.

Outro caso

A família de Jéssica Germano de Freitas, de 29 anos, também decidiu adotar o veganismo. A transição teve início há três anos.

“Meu marido era ovolactovegetariano (alguém que não come carne, mas que ainda se alimenta de ovos e derivados do leite) um ano antes de nós. Mas os boatos sobre papelão na carne foram decisivos para mim. Me tornei ovolacto também”, explica Jéssica. “Quatro meses depois, fomos em um festival vegano e decidimos mudar. Compramos um livro e seguimos”, completa.

Foto: Jéssica Freitas/Arquivo Pessoal

Ao optar pelo veganismo – que também faz parte da vida das filhas, Lana, de 6 anos, e Mariah, de 6 meses -, Jéssica teve que passar a lidar com críticas, baseadas em desinformação e preconceito.

“Teve muita implicância sim, e até hoje lidamos com isso. Sempre é a mesma questão, de que animais foram feitos pra isso, que minhas filhas ficariam doentes, ou que estávamos privando as meninas de escolha”, desabafa.

No entanto, a ideia de que o veganismo pode prejudicar a saúde das crianças é refutada pela nutricionista Fabiana Sanches. A especialista explica que a alimentação vegana é reconhecida como segura pela Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição e, inclusive, diminui os riscos da pessoa desenvolver anemia, osteoporose, raquitismo e obesidade.

A nutricionista garante ainda que o intestino de uma criança que nasce em uma família vegana tem mais facilidade de se adaptar à alimentação de origem vegetal. No caso de uma criança onívora que faz a transição para o veganismo, o processo é gradual.

Foto: Fabiana Sanches/Arquivo Pessoal

“Passar de uma fase para outra pode demorar meses. É preciso sempre garantir que, excluindo a carne e o leite, por exemplo, se consiga ferro e cálcio em outras fontes”, diz.

“O prato de uma criança vegana deve conter algum alimento do grupo do feijão, algum cereal, pelo menos dois vegetais diferentes e dois tipos de verduras, preferencialmente crus”, completa.

“O vegano deve sempre solicitar em seus exames de rotina a vitamina B12, porque dependendo do nível de deficiência, é necessária a reposição”, conclui.


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1 COMENTÁRIO

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