Dados alarmantes

Estudo aponta escassez de água no pantanal mato-grossense

Pantanal - Foto: Marcos Vergueiro

Após a constatação de que a oferta de água no Pantanal do Mato Grosso diminuiu, um projeto de restauração ecológica foi criado


Um estudo feito pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em parceria com trabalhadores assentados da cidade de Cáceres, descobriu que o Pantanal mato-grossense está sofrendo uma escassez de água, especialmente na época da estiagem, o que afeta os animais, as plantas e também os seres humanos.

Pantanal – Foto: Marcos Vergueiro

Considerado uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta, o Pantanal de Mato Grosso se tornou foco de um projeto de restauração ecológica, financiado pelo Ministério do Meio Ambiente, elaborado por pesquisadores da Unemat e integrantes da comunidade local e coordenado pela professora Solange Ikeda Castrillon, segundo informações do portal oficial do governo de Mato Grosso.

O projeto, denominado “Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego do Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense”, foi idealizado após a constatação da diminuição de chuva e da escassez de água na região.

Um dos objetivos principais do projeto é restaurar a vegetação dos entornos das nascentes, da mata ciliar e dos córregos. A ação é resultado da articulação de integrantes do Assentamento Laranjeira I.

A vivência de moradores locais levou à constatação de que a água do Pantanal está diminuindo e começando a faltar. O motivo são as atividades humanas, como o desmatamento de encostas e matas ciliares de córregos, lagos e rios, extinguindo a vegetação próxima às nascentes e olhos d’água e deixando-os expostos ao pisoteio de animais e ao assoreamento por erosão.

Além de ter sido observada pelos moradores, a escassez de água foi confirmada por pesquisadores. “A supressão da vegetação e a mudança de usos da terra desencadeiam uma série de alterações no meio físico, no ciclo hidrológico e no clima. Sem fazer estudos e pesquisas acadêmicas, alguns moradores, por experiência empírica, obtiveram os mesmos conhecimentos a que chegaram os cientistas e ecólogos. Sabiamente afirmou a moradora: a mata chama a chuva”, avalia a professora da Unemat Solange Ikeda, bióloga e doutora em Ecologia e Recursos Naturais.

Com o desmatamento do Cerrado e do Pantanal, as condições climática são alteradas, causando mudanças no regime de chuvas que regulam a umidade do ar e a temperatura.

“O desmatamento para a agricultura ou a implantação de pastagens para a pecuária retira um tipo de vegetação natural, expondo os solos aos impactos diretos das águas das chuvas e aos raios solares, incidindo na estrutura física (compactação) e química (nutrientes) do solo, assim como na microfauna (que são os decompositores) para introduzir cultivos diversos ou monoculturas”, explicou a pesquisadora.

A maior parte da área desmatada pela agricultura, no entanto, também está relacionada à pecuária, já que o desmate é feito para o plantio de grãos que, depois, irão alimentar os animais explorados para consumo humano.

Além do desmatamento, as áreas transformadas em pasto recebem animais como bois, porcos, ovelhas, cabritos, galinhas e patos, que pisoteiam o solo, impactando a superfície da terra, afetam a hidrografia por conta do uso excessivo de água ou pela poluição gerada por seus dejetos.

O estudo resultou no livro “Escassez hídrica e restauração ecológica do Pantanal: Recuperação das nascentes e fragmentos de mata ciliar do córrego no Assentamento Laranjeira I e mobilização para conservação dos recursos hídricos no Pantanal mato-grossense”, organizado por Solange Ikeda Castrillon, Alessandra Aparecida Elizania Morini Lopes (mestre em Ecologia) e João Ivo Puhl (doutor em História da América), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), e pelo professor Fernando Ferreira de Morais (doutor em Biologia Vegetal), da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

A obra, disponível no Laboratório de Educação e Restauração Ecológica/ Celbe da Unemat, foi financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal/Museu Goeld (INPP).


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