Dia de Finados

Entenda o luto e dor da perda de um companheiro de quatro patas

Capazes de uma entrega incomparável e de um amor incondicional, os animais alcançam lugares profundos no sentimento humano, tornando sua morte uma separação dolorosa e legítima, inclusive cientificamente

Foto: Merv Tolentino Dumanat/Facebook
Foto: Merv Tolentino Dumanat/Facebook

O Dia de Finados é um feriado de origem católica celebrado dia 02 de novembro em diversas partes do mundo. Em alguns países, como no Brasil, é considerada uma data triste, dia em que os membros das famílias visitam seus mortos no cemitério, levam flores e sentem saudades. Já no México é uma festa famosa e muito celebrada, com enfeites pelas cidades, desfiles pelas ruas e banquetes nas casas, onde acredita-se que os espíritos dos mortos venham visitar suas famílias.

A ligação entre humanos e animais domésticos já foi objeto de estudos pelo mundo todo, qualificada e quantificada, cientificamente comprovada, a dor da perda de um animal com quem dividimos a vida é igual ou senão maior que a perda de um ente querido humano e causa luto e tristeza que impactam de forma intensa na vida do tutor.

Foto: Earthporm
Foto: Earthporm

Muito da força e intensidade dessa dor, segundo alguns autores, viria da forma como é forjada essa ligação os laços únicos que se formam entre tutor e companheiro de quatro patas, laços que individualizam esse tipo de relação, muito ligados à capacidade incomparável dos animais de oferecer amor incondicional, lealdade, cumplicidade, solidariedade e companheirismo qualidades singulares a esses seres sencientes.

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Muitas relações humanas não alcançam a intimidade que um tutor desenvolve com seu animal doméstico, uma cumplicidade e devotamento que crescem durante os anos de convivência e fazem bem tanto a humanos como aos animais. Um conforto pela presença um do outro, a sensação de paz ao toque de pelos e peles, a ansiedade pelo afago ao abrir a porta de casa, sentida dos dois lados da relação.

Alguns autores acreditam que seja exatamente essa característica de entrega sem recompensa, tão comum aos animais que “derrube” as barreiras naturais do convício humano que faça com que esses seres especiais alcancem níveis mais profundos do sentimento de seus tutores, que só tem desfrutou da convivência íntima com um animal pode testemunhar.

Luto incomparável

É neste ponto que o luto e a perda de um companheiro animal ficam mais doloridos ainda. Quando eles partem, deixam um vácuo que era preenchidos por sensações boas, momentos felizes, e um amor que não se compara a nenhum outro: incondicional.

Tutora se despedindo de cachorrinha | Foto: Imgur
Tutora se despedindo de cachorrinha | Foto: Imgur

A falta da presença de um companheiro animal causa tristeza profunda e pode até impactar na forma como o tutor vive e em sua rotina.

De acordo com a psicóloga Julie Axelrod, existe uma ausência mais profunda sentida: “Não se trata apenas de perder o animal doméstico”. Ela afirma que parte disso é que trata-se da perda de uma fonte de amor incondicional e conforto, bem como um companheiro inigualável.

Sem mencionar que essa perda leva a uma enorme ruptura na rotina diária, muitas vezes maior que a perda de entes queridos humanos. Tutores organizam seu dia a dia de acordo com seu cão (ou gato, ou seu animal doméstico), e de repente perder toda essa ordem pode deixar o tutor completamente perdido.

Foto: Ross Taylor
Ross Taylor

“Um fato realmente triste que os tutores que perdem seus companheiros contam, é que por um tempo, eles continuam a pensar e realizar as coisas como se seus animais ainda estivessem vivos. Por exemplo, quando algo cai em outro cômodo eles se pegam chamando automaticamente pelo animal para checar se está tudo bem, ou eles chegam a ouvir os ruídos que seus companheiros faziam pela casa, mesmo eles não estando mais lá”, conta a estudiosa.

As memórias podem pregar peças na mente, porém é desnecessário dizer o quão difícil é passar por uma separação como essa.

A culpa também tem o seu papel no luto, pois muitas vezes o tutor se vê obrigado a fazer uma escolha difícil para acabar com o sofrimento do companheiro. Embora seja a opção mais humana a ser feita, não é a mais fácil, ainda mais quando se trata de dizer adeus.

Gata Konga falecida em 02/11/2019 | Foto: Bruna Araújo
Gata Konga falecida em 02/11/2019 | Foto: Bruna Araújo

Pensamentos de que havia mais que poderíamos fazer mais e não fizemos, trazem outro nível de dor que simplesmente não conseguimos suportar.

A perda de um animal doméstico é um momento delicado e dolorido – reconhecido inclusive cientificamente – e é absolutamente normal e correto sentir a dor da perda e ficar desorientado. Eles são membros da família, não importa o que aqueles que não compreendem essa dor ou não sabem o que é o amor de um animal digam.

Se você perdeu seu amigo animal, é absolutamente compreensível que ainda sinta falta do seu companheiro, já o lugar que ele ocupou em sua vida, será só dele, para sempre.

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