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Metade da população de jumentos do mundo pode ser morta nos próximos cinco anos

26 de novembro de 2019
4 min. de leitura
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Burro no santuário The Donkey Santuary em Sidmouth, Devon (Inglaterra) | Foto: Getty Images
Burro no santuário The Donkey Santuary em Sidmouth, Devon (Inglaterra) | Foto: Getty Images

Cerca de metade da população global de burros pode ser morta em apenas cinco anos, devido a um aumento na demanda por sua pele, que é usada na medicina tradicional chinesa.

Segundo informações da ONG internacional The Donkey Sanctuary (Santuário dos Burros), as populações desses animais estão entrando em colapso em países da África, América do Sul e Ásia – incluindo éguas doentes e potros – sendo roubados, transportados e mortos.

A organização alertou que a espécie está agora “em um estado de crise em nível mundial”, já que os comerciantes os matam com interesse na venda e exportação de suas peles para serem usadas na fabricação de eijão, uma gelatina feita a partir do cozimento de pele de burros e jumentos, produto popular na medicina chinesa – embora sem qualquer evidência médica.

Peles de burros sendo deixadas para secar | Foto: The Donkey Santuary
Peles de burros sendo deixadas para secar | Foto: The Donkey Santuary

O aumento da demanda por ejiao levou um número insustentável de burros à morte e surgiram também quadrilhas criminosas que sequestram os animais por suas peles, que são vendidas aos milhões todos os anos.

O relatório do The Donkey Sanctuary revela que o suprimento de peles de burros atualmente não consegue atender à demanda na China, que utiliza cerca de 4,8 milhões de couro de burro por ano para a produção de ejiao. Como resultado, traficantes de animais na África, Ásia e América do Sul estão exportando peles adicionais para a China.

As populações de burros na China caíram 76% desde 1992. E desde 2007 as populações caíram 28% no Brasil, 37% em Botsuana e 53% no Quirguistão.

Peles de burros | Foto: AFP
Peles de burros | Foto: AFP

Com pouco menos de cinco milhões de peles necessárias todos os anos para a produção de ejiao, a indústria exigiria mais da metade dos burros atuais que existe no mundo nos próximos cinco anos para atender a essa demanda.

A demanda por burros também está gerando uma crise de bem-estar animal, com o potencial de se transformar em um problema de doença humana, uma vez que a falta de higiene nos matadouros tem causado um aumento de patógenos perigosos, incluindo antraz e doenças equinas, como a gripe equina.

O relatório diz que muitos manipuladores de burros no comércio de pele têm pouco ou nenhum treinamento em lidar com animais, geralmente recorrendo a métodos cruéis e ilegais de controle de burros, como chutar, arrastar e usar lanças pontiagudas chamadas de aguilhões.

Burro sendo morto em matadouro | Foto: Humane Society Internacional
Burro sendo morto em matadouro | Foto: Humane Society Internacional

As condições em muitos dos matadouros de burros são assustadoras. Um matadouro no Quênia foi imediatamente fechado depois que testemunhas registraram filmagens de burros mortos e moribundos, alguns com feridas abertas e infestadas de larvas. Fetos também foram vistos, assim como cadáveres despejados ao lado de burros vivos que aguardavam a morte.

Logo após, o matadouro reabriu.

Na Bahia, no nordeste do Brasil, 800 burros foram encontrados morrendo de fome ao lado de centenas de cadáveres em estado de putrefação que poluíram sua única fonte de água.

Burros aguardam a morte no matadouro em Baringo, Quênia | Foto: Humane Society
Burros aguardam a morte no matadouro em Baringo, Quênia | Foto: Humane Society

A instituição também descobriu vínculos entre o comércio de pele de burro e outros crimes graves contra a vida selvagem, com alguns comerciantes oferecendo peles de burro à venda em plataformas on-line que também vendem produtos ilegais, incluindo marfim, escamas de pangolim e chifre de rinoceronte. Em um exemplo, peles de tigre foram encontradas escondidas sob peles de burro.

Mike Baker, executivo-chefe do The Donkey Sanctuary, disse ao Independent em matéria publicada em 21 de novembro: “Essa situação está causando um sofrimento aos animais em uma escala enorme e inaceitável. Esse sofrimento não se limita apenas aos burros, pois também ameaça a subsistência de milhões de pessoas. O comércio de peles é a maior ameaça ao bem-estar dos burros que já vimos. Ações urgentes precisam ser tomadas”.

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