Clínica congelava animais mortos para continuar cobrando por internação


A clínica também é suspeita de vender remédios proibidos, aplicar medicamentos de humanos em animais e reaproveitar próteses de animais mortos


Uma clínica veterinária em Nova Lima (MG) congelava animais mortos e não avisava sobre a morte ao tutor para continuar cobrando pela internação. O dono do estabelecimento, alvo de uma ação da Polícia Civil nesta sexta-feira (22), foi acusado de diversos crimes, como estelionato, associação criminosa e maus-tratos. Marcelo Dayrell, proprietário da Animed, foi preso.

Reprodução/Globo

Alguns animais ficaram congelados por mais de uma semana. Antes do tutor ser avisado sobre a morte, o corpo do animal era descongelado e recebia uma injeção para que ficasse com aparência de morte recente.

O local é suspeito também de vender remédios proibidos, aplicar medicamentos de humanos em animais e reaproveitar próteses de animais mortos. Há indícios ainda, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), de coleta de sangue de animais sem autorização dos donos para venda de bolsas de sangue usadas em procedimentos de transfusão. Crimes de sonegação e lavagem de dinheiro também serão investigados.

“Nós temos testemunhas fundamentais que informam que era um procedimento comum a reutilização de próteses e parafusos que poderiam causar uma contaminação nos animais muito fácil. E a questão do congelamento, nós tivemos notícia que ele praticava esse tipo de ação, ele congelava o animal já morto para postergar a devolução do corpo e receber um maior volume de dinheiro”, disse ao G1 a delegada Carolina Bechelany.

O veterinário e dono da clínica, Marcelo Dayrell, nega os crimes. A polícia tentou ainda localizar a esposa dele, a veterinária Franciele Fernanda Quirino dos Santos, mas não conseguiu. Ela é considerada foragida. O marido afirma que ela está viajando.

A delegada Carolina Bechelany informou que a investigação teve início devido a um descarte de lixo veterinário com lixo comum, que configura crime ambiental. A partir de então, outros crimes foram descobertos. Cinco mandados de busca e apreensão foram expedidos.

Os animais que estavam na clínica no momento da operação policial devem ser retirados do local, que funciona 24 horas. Os tutores serão contatados para buscá-los.

A assessoria de imprensa da clínica informou que se pronunciará sobre o caso após análise das denúncias. “Além disso, se coloca à disposição da Justiça para esclarecimento dos fatos e afirma que irá cooperar no que for preciso com a investigação para que todos os fatos sejam esclarecidos o mais breve possível”, afirma a nota.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária explica que é permitido usar remédios humanos em animais, desde que sejam prescritos por médico veterinário, respeitando as restrições previstas em normas do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.


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