Amazônia

Cientistas não assinam estudo sobre queimadas por medo de represálias de Bolsonaro

Foto: Esio Mendes

O estudo se baseou em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)


Por medo de represálias do governo Bolsonaro, cientistas de universidades federais brasileiras não assinaram um estudo que confirma que as queimadas na Amazônia aumentaram quase três vezes em relação a 2018. A pesquisa foi publicada na última sexta-feira (15) na revista científica Global Change Biology.

Foto: Esio Mendes

“Alguns colaboradores recusaram a coautoria neste trabalho para manterem-se no anonimato. Lamentamos que isso fosse necessário e gostaríamos de agradecê-los por sua importante contribuição”, diz um trecho do estudo, em seus agradecimentos. As informações são da Revista Fórum.

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O estudo se baseou em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que foi alvo de ataques do governo. De acordo com a pesquisa, as queimadas na floresta amazônica foram as mais intensas desde 2010.

Para os pesquisadores, o fogo está associado ao aumento do desmatamento. “O aumento acentuado de ambos os incêndios e os desmatamentos em 2019 refuta, portanto, a consideração de que agosto de 2019 foi um mês ‘normal’ na Amazônia brasileira”, diz o estudo.

Bolsonaro, no entanto, chegou a afirmar que as queimadas eram normais e causadas por ONGs. Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, usou o tempo seco do bioma como justificativa para os incêndios.

Durante um dos ataques feitos ao Inpe pela equipe do governo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou que os satélites do instituto não são capazes de diferenciar “grandes incêndios” de “fogueiras de acampamento”.

A qualidade do Inpe, no entanto, é reconhecida internacionalmente e os dados divulgados pelo instituto, que mostram um aumento alarmante da destruição da Amazônia, são respeitados por diversos cientistas.


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