Veganismo

‘Vegansexuais’: cresce número de veganos que não se relacionam com quem come carne

Free-Photos/Pixabay

A quantidade de “vegansexuais” – isso é, veganos que não têm relações sexuais com pessoas que consomem carne e derivados animais – tem aumentado. O aumento é percebido quando dados de estudos antigos e recentes são comparados.

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Em 2007, a pesquisadora Annie Potts, doutorada em Filosofia e co-diretora do Centro Neozelandês de Estudos Humano-Animais da Universidade de Canterbury, publicou o estudo “Consumo Livre de Crueldade na Nova Zelândia”, que apresentava dados a respeito das perspectivas e experiências de vegetarianos. Na época, a pesquisa já mostrava a existência de pessoas que se negavam a ter relações íntimas com quem come carne. Uma delas, com 41 anos na época, afirmou que se beijar um fumante é, para um anti-tabagista, como lamber um cinzeiro, para um vegetariano ou vegano beijar quem come carne é igual a ter contato com um cemitério.

“Não gostava de ter intimidade com alguém cujo corpo é literalmente feito de corpos de outros seres que morreram para o sustentar”, justificou a entrevistada pelo estudo. “Mesmo que eu achasse a pessoa muito atraente, não ia gostar de me aproximar dela se o seu corpo fosse derivado de carne. Os corpos das pessoas que não são vegan têm um cheiro diferente, mas para mim é sobretudo uma questão de ética sexual”, completou.

A quantidade de pessoas que se negavam a ter relações sexuais com quem consome carne já era tão significativa na época que levou a pesquisadora a cunhar o termo “vegansexuais”. As informações são do portal Visão.

A pesquisa entrevistou 157 pessoas, sendo 120 mulheres. Desses, 63% afirmou que desejava se relacionar com alguém que também respeitasse os animais. Uma das entrevistadas, de 21 anos, afirmou que cogitava terminar um namoro porque seu companheiro não partilhava de seus ideais a respeito dos animais. “Estamos a tentar acertar o passo, mas não sei se vamos conseguir”, disse.

Uma vegana inglesa, em entrevista ao portal Vice, chegou a afirmar que “é mais simples dizer que um ambientalista não se envolveria com um explorador de uma mina de carvão” porque “quando se trata de dieta e animais parece que as coisas ficam muito confusas”.

Entrevistada por Annie, uma mulher de 49 anos, de Auckland, disse que nem pensa em beijar os lábios de pessoas que “permitem que pedaços de animais mortos passem entre eles”.

Pesquisas recentes mostram que essa realidade só tem aumentado. Um levantamento feito pelo site britânico SpeedDater, responsável por promover encontros entre os membros, concluiu que 56% dos vegetarianos e veganos que participaram dos encontros não quiseram conhecer pessoas que comem carne.

De acordo com Robb Masters, membro da Vegan Society e moderador do grupo London Vegan Meetup, desde 2011, quando o grupo foi criado, o número de membros passou de 650 para mais de 8 mil. “Mais do que tem a própria Vegan Society”, disse. A entidade foi fundada em 1944, no Reino Unido.

O moderador relevou que a procura por encontros é tamanha que são promovidos cerca de 12 por mês.


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