Ave especial

Morre galinha que vivia com gatos resgatados de bombardeios na Síria

Ludovica era a única galinha no meio de 400 felinos do Ernesto`s Paradise – um santuário que acolhe também outros animais vítimas da guerra como cães, cavalos, coelhos, aves e burros

Ludovica e um dos gatos do Ernesto`s Paradise. Arquivo Pessoal

No final de semana a galinha Ludovica foi encontrada morta dentro de sua “caminha” no Ernesto`s Paradise –  santuário criado na Síria para gatos vítimas de cidades bombardeadas. Já com idade avançada, Ludovica morreu de causa natural. Ela será homenageada no calendário de 2020 do santuário que hoje acolhe também outras espécies animais e depende exclusivamente de doadores.

O calendário está à venda pelo site https://ernestosanctuary.org/

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

O Ernesto`s Paradise foi criado por  Mohammad Alaa Aljaleel. Em 2012 ele era motorista de ambulância e, pelo caminho, ajudava os animais soltos pelas ruas distribuindo comida em diversos pontos. Ele ficou famoso ao ser filmado alimentando os animais em zonas de conflito e ganhou o apelido de “O homem-gato de Aleppo” – cidade onde ele fazia a maior parte do seu trabalho.

A galinha Ludovica vivia no meio de 400 gatos e era respeitada pelos felinos. Arquivo pessoal

Em 2015 ele começou a levar os gatos para casa porque vários estavam muito debilitados ou feridos. Em 2017, o abrigo foi totalmente destruído por um bombardeio. Só deu tempo de Aljaleel escapar com a família e seu gato Ernesto para a Turquia. Ele calcula que os demais gatos morreram no bombardeio.

No mesmo ano, assim que pôde, ele retornou a Aleppo para recomeçar o abrigo do zero. Doações ajudaram a erguer um novo lugar para acolher tanto os gatos quanto outros “órfãos da guerra” como cães, cavalos, coelhos, aves e burros. Era o Ernesto`s Paradise surgindo das cinzas e homenageando no nome o fiel escudeiro felino de Aljaleel, que desapareceu do novo abrigo sem deixar pistas.

O “homem-gato” disse à ANDA que Ludovica era uma galinha muito especial e muito diferente de qualquer outra ave da espécie: “Ela pensava ser gato e vivia no meio dos gatos. Mas já estava idosa. Pelo menos ela teve uma vida muito feliz, recebeu muito carinho e morreu com tranquilidade na cama que fizemos para ela. Agora ela está no arco-íris junto de outros animais que por aqui passaram. Faremos uma homenagem a ela no nosso calendário de 2020. Ela aparecerá em todas as páginas junto de outros animais”.

Ludovica em sua “caminha”. Morte natural. Arquivo pessoal

Aljaleel também deu uma entrevista exclusiva para a ANDA recentemente contando como funciona o santuário e como é a perigosa a rotina da equipe que se embrenha em cidades totalmente destruídas para retirar os gatos escondidos entre os escombros. A entrevista pode ser vista acessando

https://www.anda.jor.br/2019/09/a-anda-entrevistou-o-homem-que-salvou-centenas-de-gatos-na-siria-amp/?fbclid=IwAR07p0TQ13THROwckKW3i7IvxCx6bndipI2fAFkrR7h9qxdainxK0AKrpoU

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

 

 

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui