Ação criminosa

Investigações apontam que fazendeiros e empresários organizaram ‘Dia do Fogo’

Queimada na Amazônia no município de Altamira, no Pará (Foto: VICTOR MORIYAMA / AFP/Greenpeac)

As queimadas foram organizadas através de conversas feitas em grupos de WhatsApp


Investigações das polícias civil e federal concluíram que fazendeiros, madeireiros e empresários de Novo Progresso (PA) organizaram o “Dia do Fogo”, quando queimadas foram realizadas na Amazônia nos dias 10 e 11 de agosto.

Queimada na Amazônia no município de Altamira, no Pará (Foto: VICTOR MORIYAMA / AFP/Greenpeac)

Os organizadores do ato criminoso fizeram vaquinha para pagar o combustível e contrataram motoqueiros para espalhar o líquido inflamável. As informações são do portal Repórter Brasil.

FAÇA PARTE DO #DiaDeDoarAgora EM 5 DE MAIO

A ação foi combinada através do WhatsApp. Dois grupos foram usados pelos criminosos, um denominado “Sertão”, e outro chamado “Jornal A Voz da Verdade”. Neste último grupo, que foi o primeiro a ser utilizado, haviam 256 pessoas, dentre elas autoridades como o delegado de Polícia Civil, Vicente Gomes, chefe da Superintendência da Polícia Civil do Tapajós, em Itaituba, a 400 quilômetros de distância de Novo Progresso.

O delegado chegou a determinar a outro delegado, de Novo Progresso, que depoimentos colhidos pela Polícia Civil na cidade não fossem repassados à Polícia Federal. Além disso, as investigações têm sido dificultadas pelos organizadores do “Dia do Fogo”, segundo um policial federal que participa da investigação.

Ouvido pelo portal Repórter Brasil na condição de anonimato, o policial afirmou que os fazendeiros da região têm boas relações com deputados e senadores do Pará, além de conhecerem pessoas do alto escalão do governo federal.

De acordo com o policial, o Sindicato dos Produtores Rurais de Novo Progresso tem influência na Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (Faepa), que é bem articulada com a bancada ruralista do Congresso.

Para o procurador Paulo de Tarso Moreira de Oliveira, do Ministério Público Federal em Santarém, que investiga o caso, o objetivo do grupo que organizou o “Dia do Fogo” era prejudicar a fiscalização contra incêndios florestais.

“Investigamos se as lideranças locais se associaram para mascarar a identificação da autoria, pois não há fiscalização capaz de fiscalizar tantos focos de incêndio ao mesmo tempo”, disse. “Dizer que não aconteceu o Dia do Fogo é ignorar claramente as informações dos satélites”, concluiu.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui