Dia Nacional das Abelhas

Pexels/Pixabay

Por Fátima ChuEcco

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No Brasil o Dia das Abelhas é comemorado em 3 de outubro – Dia Mundial das Abelhas é em 20 de maio – mas não há motivo para comemorações. As abelhas estão sumindo em todas as partes do mundo por ação de pesticidas e agrotóxicos nas plantações, perda de habitat e mudanças climáticas como o aquecimento global.

Mas o problema vai muito além de seu desaparecimento. O papel polinizador das abelhas é crucial para a produção de alimentos em quantidade e, principalmente, com qualidade, e não só para o homem, mas para diversos animais.

A abelha protagoniza toda uma cadeia alimentar. Não é a única polinizadora, pois, besouros, borboletas, pássaros e morcegos também realizam essa tarefa, mas a abelha é uma das principais agentes de polinização.

Michael Siebert/Pixabay

“As abelhas são amplamente reconhecidas por sua importante contribuição para a segurança alimentar e nutricional, agricultura sustentável, saúde ambiental e dos ecossistemas, além do enriquecimento da biodiversidade.

No entanto, e por todo o mundo, cada vez mais espécies de polinizadores estão desaparecendo devido a vários fatores, a maioria de origem humana”, relata o site da FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação.

Os dados são assustadores. Segundo a instituição, quase 35% dos polinizadores invertebrados, principalmente abelhas e borboletas, e cerca de 17% dos polinizadores vertebrados, como os morcegos, enfrentam extinção.

Mas como esse sumiço das abelhas afeta a alimentação humana? Mais de 75% das culturas alimentares do mundo dependem, em algum momento, da polinização. Isso porque as abelhas ajudam as plantas a se reproduzirem.

Chezbeate/Pixabay

Nem todas as culturas alimentares precisam de polinização. Arroz, trigo e batata, por exemplo, não dependem do trabalho de abelhas. “No entanto, muitos dos alimentos nutritivos e ricos em micronutrientes como frutas, vários vegetais, sementes, nozes e óleos, desapareceriam sem os polinizadores. Um mundo sem polinizadores é um mundo sem alguns dos alimentos que tanto amamos como morangos, maçãs, mirtilos, cerejas, amêndoas, cacau e café”, diz o alerta no site da FAO.

Por isso, um plano de ação da entidade para o período entre 2018 e 2030 visa promover ações coordenadas em todo o mundo para proteger diversas espécies de abelhas. São iniciativas que apoiam uma agricultura mais diversificada e menos dependente de produtos químicos e tóxicos. Proteger as abelhas é proteger toda a vida do planeta. A FAO criou um vídeo para simular o que aconteceria com a Terra caso as abelhas sumissem por completo.

Amizade entre uma mulher e uma abelha

O caso ocorrido na Escócia foi amplamente divulgado em 2018. Fiona Presly notou no jardim de sua casa a presença de uma abelha sem asas e que, por conta disso, morreria em pouco tempo já que as abelhas necessitam voar para colher alimento em muitas flores e plantas. Ela então colocou a abelha num lugar seguro e passou a alimentá-la dia após dia com água açucarada.

Presly | Arquivo pessoal

O esforço em salvar a abelha foi tanto que Fiona até criou um jardim com flores diversas para que a abelha pudesse se fortalecer. Ela cobriu esse recanto com uma manta para que outras abelhas não acabassem com a “dispensa nutritiva”. E o mais impressionante é que a abelha parecia reconhecer e saudar Fiona cada vez que sua salvadora adentrava no jardim.

A abelha que deveria durar por volta de três meses acabou vivendo por cinco sob os cuidados da “amiga” humana.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

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