ESTRATÉGIAS DE CONSERVAÇÃO

Conferência sobre tráfico de animais selvagens na América do Sul é realizada no Peru

Os principais tópicos de discussão no encontro variaram desde a prevalência de corrupção e os vários crimes envolvidos no tráfico de animais silvestres, aos controles e regulamentos atuais e o uso de tecnologias para combater esse comércio

Foto: World Animal News/Reprodução
Foto: World Animal News/Reprodução

Funcionários de alto nível de organizações governamentais, intergovernamentais e sem fins lucrativos, incluindo representantes do Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW), estão reunidos em Lima, no Peru, para a primeira Conferência Regional das Américas sobre o Comércio Ilegal de Animais Selvagens.

Desenvolvida em colaboração por várias entidades desde 2017, incluindo a IFAW, a conferência representa um primeiro passo fundamental no estabelecimento de parcerias na região para a prevenção e controle do comércio de animais silvestres. O resultado da conferência inclui participantes de países que assinaram a Declaração de Lima, um compromisso formal de enfrentar a ameaça do comércio de animais silvestres e o desenvolvimento de ações colaborativas e multilaterais para combater sua proliferação.

A América Latina é rica em espécies, mais de 40% da biodiversidade da Terra se encontra na região e mais de um quarto das florestas, transformando a região em um ponto de acesso global do comércio de vida selvagem e tornando as ações imediatas críticas para a sobrevivência de muitas das espécies da região.

Os principais tópicos de discussão na conferência regional variaram desde a prevalência de corrupção e os vários crimes econômicos envolvidos no tráfico de animais silvestres aos controles e regulamentos atuais que regem o comércios de vida selvagem, e o uso de tecnologias para combater o comércio ilegal, incluindo mecanismos de redução da demanda.

Padu Franco, diretor regional da Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS) para os Andes, Amazônia e Orinoquia, disse em um comunicado: “Não seremos capazes de proteger a vida selvagem e os ecossistemas até que governos, comunidades, doadores e o público em geral reconheçam o perigo que esses animais correm, o combate aos crimes contra a vida selvagem requerem um compromisso de todos para que os enfrentemos juntos”.

Como os principais países de trânsito e destino do tráfico estão na região, o impacto do comércio ilegal de vida selvagem nas Américas é intenso. A amplitude e a escala desse comércio podem variar desde a morte de elefantes no exterior tendo em vista o marfim, a venda de répteis e aves exóticas como animais domésticos, até partes do corpo de onça-pintada usadas para os chamados “medicamentos tradicionais”. Um aspecto da conferência que chamou a atenção devido ao seu significado regional é a caça e o comércio envolvendo a onça-pintada, as partes de seu corpo e vários derivados.

Joaquin de la Torre Ponce, diretor regional da IFAW para a América Latina e o Caribe disse em um comunicado: “Como a maior espécie de felino das Américas, a onça-pintada é icônica, além de seu papel crítico no ecossistema, possui um tremendo significado cultural. A ação conjunta de colaboração que foi discutida ao longo desta primeira conferência nas Américas é fundamental para abordar o comércio de animais silvestres, que é universalmente reconhecido como uma ameaça crescente a essa espécie fundamental.

Como um dos tipos mais lucrativos de crime organizado, o tráfico de animais selvagens depende fortemente de redes sofisticadas que envolvem suborno, lavagem de dinheiro e, frequentemente, violência. Portanto, o comércio de animais selvagens é um crime sério que não apenas ameaça a biodiversidade de espécies e o meio ambiente, mas também a segurança humana.

O IFAW trabalha para quebrar todos os elos da cadeia comercial, da caça ao tráfico e à demanda. Suas equipes em todo o mundo monitoram os mercados de animais silvestres on-line e off-line, compartilhando informações com agências policiais que levam a repressão ao mercado e processo criminal. Esses esforços, juntamente com os esforços de lobby (por regulação), estão mudando as leis e transformando o mercado.

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