Itália

Autoridades são pressionadas a acabar com as carruagens de turistas após cavalo cair na rua

Após a queda o animal foi obrigado a se levantar pelo guia da carruagem, que ignorou os apelos das pessoas presentes na cena, pedindo que ele levasse o animal a um veterinário para verificar sua saúde

Carruagens puxadas a cavalo de Roma, conhecidas como botticelle, continua como sempre, apesar das promessas dos políticos de uma proibição | Foto: Diliana Nikolova/Alamy
Carruagens puxadas a cavalo de Roma, conhecidas como botticelle, continuam como sempre, apesar das promessas dos políticos de uma proibição | Foto: Diliana Nikolova/Alamy

Os líderes italianos estão sendo pressionados pela população a parar com a exploração de animais em carroças após um cavalo ter desmaiado enquanto puxava turistas pelas ruas estreitas de Roma.

O cavalo caiu na Via dei Condotti, uma movimentada rua comercial no centro da cidade, em 17 de outubro, depois de escorregar em uma tampa de bueiro. O motorista da carruagem ignorou os pedidos dos observadores de que o cavalo fosse examinado por um veterinário, preferindo continuar o passeio em direção à Escadaria Espanhola nas proximidades, quando o animal estivesse de pé novamente.

“Submeter animais a trabalho desumano em nome de uma tradição anacrônica é abuso de animais”, disse Rinaldo Sidoli, porta-voz do grupo de animais e ativistas ambientais Alleanza Popolare Ecologista. “Os cavalos de Roma são forçados, contra a vontade deles, a rebocar cargas extremamente pesadas (só a carruagem pesa 800 kg) em calçadas escorregadias e em meio a tráfego barulhento. Pedimos à prefeita Virginia Raggi que pare com essa exploração injustificada de animais”.

A ENPA – Agência Nacional de Proteção Animal disse que outros cavalos caíram no mesmo bueiro. “O que torna essa história ainda mais perturbadora é o comportamento daqueles que dirigem a carruagem”, acrescentou a agência. “Era como se nada tivesse acontecido e, portanto, o real estado de saúde do cavalo permanece um mistério”.

Houve outros casos de cavalos caindo, desmaiando ou morrendo nas ruas de Roma. Um deles, chamado Legoli, morreu em junho de 2008 após ser atropelado por um carro enquanto puxava uma carruagem ao longo de uma estrada junto ao rio Tibre. Alguns meses depois, um cavalo de 18 anos, chamado Birillo, morreu enquanto trabalhava perto do Coliseu. Birillo caiu depois de se assustar com o barulho de um caminhão que passava. Outro desmaio ocorreu próximo a Escadaria Espanhola no verão de 2012, onde o motorista foi flagrado tentando bater no animal para colocá-lo de volta ao trabalho, antes de ser parado pela polícia. Mais tarde, foi aprovada uma lei proibindo as carruagens puxadas a cavalo de circularem se a temperatura estiver acima de 40°C.

Atualmente trinta e duas pessoas têm licença para dirigir as carruagens puxadas por cavalos, mas de acordo com os planos da atual prefeita da cidade, Virginia Raggi, nenhuma nova licença seria emitida. Aos antigos condutores de carruagem que quiserem migrar, foi oferecida a opção de solicitar licenças de táxi. Os condutores muitas vezes brigavam abertamente com ativistas dos direitos animais por causa de uma prática há muito criticada por sua crueldade. Cerca de 80 cavalos ainda estão trabalhando.

“A visão de um cavalo caindo no chão deixou muitos turistas horrorizados”, acrescentou Sidoli. “O espetáculo vergonhoso foi mais um golpe na imagem da Itália. Chegou a hora do parlamento ouvir a crescente sensibilidade dos italianos em relação aos direitos animais”.

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