Proteção aos equinos

Ativistas especializados no resgate de cavalos

O salvamento de animais de grande porte revela um lado da proteção animal que pouca gente conhece e que consiste numa missão duramente travada todos os dias

O triste destino de muitos cavalos sequer mudou no passar de séculos. Eles são explorados desde antes de Cristo em trabalhos forçados ou competições brutais. Mas existem pessoas dedicadas a salvá-los e cuidar deles em santuários de SP. Isso porque principalmente nas áreas rurais, mas também em muitas cidades, os cavalos ainda puxam carroças com peso bem acima de suas limitações.

Incapazes de escapar de cruel sina, eles definham com desnutrição, doenças e inúmeras feridas que vão se alastrando pelo corpo. Tido como um animal muito inteligente, os cavalos são ainda explorados em circos, charretes em cidades turísticas e, em alguns países também sua carne consumida.

A relações públicas Karina Somaggio fundou há dois anos a ONG “Abraço Animal – Resgate de Cavalos”, em um sítio de 45 alqueires em São Roque, no Interior de SP, justamente para “abraçar” essa causa.

“Resgato e cuido de cavalos de carroceiros há 10 anos, ou seja, desde de quando me mudei para o sítio, onde hoje é o santuário. Desde pequena sempre tive cavalos na fazenda de minha família. Desde cedo aprendi a amar esses seres mágicos, sensíveis e fiéis. Cresci, morei fora e quando tive oportunidade e sensibilidade comecei a resgatar cavalos”, conta.

O primeiro resgate de Karina foi do cavalo Trovão. Hoje a ONG abriga 16 cavalos, sendo 15 resgatados de extremos maus-tratos e uma égua que recentemente nasceu no sítio.

“Entre as histórias mais lindas temos a da égua Laskhmi (foto acima), que morava em um ferro velho em São Matheus, zona leste de SP. Era mantida em um local insalubre e sujo, junto com outros animais. Sua alimentação básica era arroz, feijão, pão velho e milho. Era extremamente brava e triste, mas hoje é muito sociável, bem nutrida e líder de todos os outros relinchadores”.

Um dos regates mais recentes foi da égua Athena (foto acima) em abril deste ano. Ela ficou perambulando por um bairro de Osasco durante meses, desnutrida, com doença do carrapato e uma lesão óssea profunda nas duas patas traseiras. Atualmente faz tratamento de ozonioterapia semanalmente para as lesões ósseas, mas ainda tem dificuldade em ganhar peso, segundo Karina.

O santuário conta também com a “bebê Isis” (foto acima): “Foi resgatada em Santo André. Tinha sido deixada em um terreno baldio para morrer ainda filhote, simplesmente porque nasceu cega dos dois olhos. Semana passada Isis passou por cirurgia para a retirada de um dos olhos, devido à gravidade de seu quadro”.

Karina descreve os cavalos como “potentes e ao mesmo tempo dóceis”: “Com eles aprendo a cada dia lições de humildade e amor incondicional. Conviver diariamente com esses gigantes me traz a certeza de que vale a pena lutar pela libertação deles das carroças, charretes, rédeas, selas, esporas e afins. Eles realmente não merecem essa escravidão”.

Para ajudar o santuário acesse https://www.facebook.com/AbracoAnimal/

Instagram @abracoanimal

Santuário Filhos de Shanti

A funcionária pública Rosangela Coelho fundou o Santuário Filhos de Shanti, em Pindamonhangaba, Interior de SP, em 2015. Tudo começou com o resgate de uma égua grávida, com as duas pernas machucadas, pele e osso.  “Foi um resgate difícil, com mais de quatro horas de conversa com o ex-tutor para poder salvá-la. Ali, no local, vi seu olhar de pavor e prometi que jamais a abandonaria e que seu filho nasceria livre. E assim foi! Mudei toda a minha vida para cumprir o que tinha prometido a essa água que batizei de Shanti”.

Depois desse resgate Rosângela sentiu necessidade de salvar outros animais já que na região do santuário há bastante exploração de cavalos em carroças e charretes.

“São tantas histórias lindas, mas quero destacar o caso do Francisco (fotos abaixo), um potrinho que foi atropelado aos 5 meses de idade. Era noite e o carroceiro levou a mãe do potrinho embora deixando-o no chão sozinho. Pela manhã o encontramos com a perna fraturada e sendo comido vivo por urubus”.

O potrinho foi levado para uma clínica veterinária e depois na USP onde sugeriram eutanásia. “Mas ele queria viver e então resolvemos ajudá-lo. Ficou 11 meses no hospital. Fez várias cirurgias, tratamento com células-tronco e algumas medicações nunca usada em cavalos antes.  Ele sobreviveu e a fratura consolidou. Hoje ele faz fisioterapia e tratamento da postura com ferradura ortopédica. Completou um ano de idade”.

O mais recente resgate de Rosângela ocorreu no dia 4 deste mês (fotos abaixo do antes e depois do resgate). “Foi do Assis, um cavalinho jovem, com dois anos, jogado na rua para morrer. Pele e osso, com doença do carrapato,  vários machucados pelo corpo e uma fratura antiga. Chegou praticamente morto, ninguém acreditava que ele fosse viver, mas nós não desistimos de nenhum que nossos braços alcançam”.

E descreve a situação: “Tivemos que colocá-lo em pé com ajuda de uma talha para que ele tivesse chance de lutar pela vida. Está tomando mais de cinco tipos de suplementos. E está se recuperando de forma linda de se ver, de encher os olhos de lágrimas”, diz emocionada a protetora.

Rosângela acredita que seja essa sua missão de vida: “Até 2015 eu nunca tive contato com cavalos, nunca sequer montei em um cavalo antes de ser vegana e hoje eu compreendo o olhar deles. Eles se comunicam, têm vontade própria, personalidade”.

Ela acrescenta que “nenhum cavalo é igual ao outro e que eles também têm variação de humor”. “Eles trazem na memória o medo e tirar isso deles é uma tarefa difícil que só se consegue com Amor”, conclui.

Para judar o santuário acesse  http://www.santuariofilhosdeshanti.org

Tem também o facebook e o instagram com o nome “Santuariofilhosdeshanti”

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal

2 COMENTÁRIOS

  1. Ahhh como sou grata a essas mulheres incríveis. Toda a minha admiração a vocês. Esses seres maravilhosos também merecem minha admiração. Apesar de tudo o que passam na mãos de exploradores ingratos e cruéis ainda conseguem se recuperar e continuar a vida. Um forte abraço a todas e todos. Se cada um fizer um pouco o mundo será melhor. Ajudem os Santuários #libetacaoanimal #libertacaohumana

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