Como gatos pretos e morcegos se tornaram ícones do Halloween


Comemorado no dia 31 de outubro como uma data divertida, regada a festas e fantasias fantasmagóricas, na verdade o Halloween tem suas raízes num duro período de perseguição as mulheres e seus gatos na Idade Média

Foto de Lisa Redfern/Pixabay

Conhecido no Brasil como o Dia das Bruxas, o Halloween é muito popular nos EUA, Irlanda, Reino Unido e outros países de língua inglesa, onde é tradição as crianças saírem as ruas com máscaras assustadoras pedindo guloseimas com a conhecida frase “trick or treat” (doces/gostosuras ou travessuras).

Mas por que os gatos pretos e os morcegos estão associados as bruxas sendo eles alguns dos ícones mais representativos dessa data?

O gato, especialmente o de cor negra, já era considerado um animal maldito pela Igreja Católica muito antes do período conhecido como “Caça às Bruxas”, quando muitas mulheres, por viverem sozinhas, isoladas, praticarem alquimia e curas naturais, foram queimadas vivas, em grandes fogueiras erguidas em locais públicos.

Foto de Lisa Redfern/Pixabay

Na Bíblia não há nenhuma menção favorável ou negativa referente aos gatos mas, por alguma razão, o Papa Gregório IX, em 1232, fundou a Santa Inquisição que durante seis séculos perseguiria mulheres, homossexuais, judeus, ateus, gatos e seus admiradores. Ele afirmava que “o diabólico gato preto, cor do mal e da vergonha, havia caído das nuvens para a infelicidade dos homens”.

Para se ter uma ideia da barbárie cometida contra os gatos basta citar que muitos foram emparedados vivos em algumas casas e outros lançados do alto de muralhas além, é claro, de serem queimados em fogueiras junto com as bruxas.

Foro de Alicja/Pixabay

Saem os gatos, entram os ratos

Mas o extermínio dos gatos teve graves consequências. Entre 1347 e 1350 a Europa sofreu com a Peste Negra ou Bubônica. A bactéria “Yersinia pestis” residia na pulga do rato preto indiano que chegou à Europa por meio de embarcações e não encontrou predadores.

A verdade é que a Peste Bubônica tinha potencial para dizimar a espécie humana, pois, não havia qualquer tratamento capaz de conter a doença. Como última alternativa de controle da peste, os gatos foram readmitidos nas cidades e somente assim a epidemia teve fim.

Foto Bessa/Pixabay

Mas o reino de tranquilidade dos gatos, admirados por seu trabalho de acabar com uma doença tão mortal, durou apenas 100 anos. Em 1450, o assassinato, principalmente de mulheres, se intensificou a ponto de sinais como verrugas e sardas serem, para os católicos, indício de que essas pessoas tinham pacto com o demônio.

Muitas dessas mulheres foram condenadas porque eram curandeiras. Elas conheciam muito bem ervas e atuavam também como enfermeiras e parteiras. Criou-se uma histeria e as bruxas passaram a ser odiadas e perseguidas por todos, assim como seus animais de companhia prediletos: os gatos.

Em 1484, outro Papa, Inocêncio VIII, piorou ainda mais a situação das mulheres consideradas bruxas. Várias foram torturadas para confessar que atuavam junto a Satanás. Quando não confessavam eram queimadas vivas e se confessassem tinham a “misericórdia” de serem estranguladas antes de serem jogadas na fogueira.

Foto de Alfred Derks/Pixabay

Detalhe: para ser considerada bruxa bastava ter um gato – uma associação que ainda é feita nos dias de hoje. A Caça às Bruxas só chegou ao fim por volta de 1750.

Absolvição dos gatos

No século XVIII finalmente a Igreja Católica não mais pregou contra os gatos. E um dado interessante: Isaac Newton, que nesse período já gozava de prestígio, motivou a simpatia pelos felinos criando a famosa portinhola para que os gatos pudessem entrar e sair das casas, e que é muito comum até hoje tanto nos EUA quanto na Europa.

No século XIX são aprovadas na Inglaterra as primeiras leis para combater crueldade contra animais e criadas organizações em defesa dos bichos.

Morcegos foram mascotes das bruxas?

Foto Alexas/Pixabay

Assim como o gato, normalmente o morcego aparece em desenhos, histórias infantis, filmes e festas como mascote das bruxas, mas provavelmente é folclore. Quando as bruxas ganharam dimensão internacional na arte, debruçadas sobre seus caldeirões para criarem poções mágicas recheadas de múltiplos poderes, adicionou-se à figura delas o transporte via vassoura, sapos, gatos pretos e morcegos ou corvos.

Provavelmente, a razão do morcego ser inserido nesse universo de feitiçaria foi porque trata-se de um mamífero de hábitos noturnos, que vive em grutas e cavernas, locais associados, na Idade Média, a passagens para o inferno. Acreditava-se que os morcegos eram demônios alados com dentes afiados. Assim eles foram sendo associados as bruxas.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal


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