Estudo revela o impacto da pesca e das mudança climática nos oceanos


Foto: Livekindly/Reprodução
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Leis mais duras com relação à pesca podem ajudar a proteger os oceanos e no combate as mudanças climáticas, diz um novo relatório.

O relatório, encomendado pela ONG Our Fish, examinou a literatura para avaliar como o fim da sobrepesca poderia equipar melhor os oceanos para combater as mudanças climáticas.

Os oceanos são importantíssimos para toda a vida na Terra. Eles produzem mais da metade do oxigênio do mundo e absorvem 50 vezes mais dióxido de carbono do que a nossa atmosfera.

As populações de peixes e seus habitats estão sendo dizimados pela pesca em excesso, de acordo com o estudo. A Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas diz que o excesso de pesca e a destruição de habitats levaram à morte de cerca de um terço da população global de peixes. Em algumas regiões, como no Mediterrâneo e no Mar Negro, esse número salta para 87%, segundo o Comitê Científico, Técnico e Econômico de Pesca.

Ao mesmo tempo, a mudança climática está “perturbando a física, a química e a ecologia do oceano”, que tem “consequências significativas” para a vida marinha, afirma o relatório da Our Fish. Mudanças em larga escala na distribuição das espécies já foram registradas nos últimos 20 anos. O aquecimento da temperatura do mar interfere com a reprodução da vida marinha e acaba por arriscar a sobrevivência das espécies, segundo o estudo.

Oceanos no limite

O artigo encomendado pela ONG Our Fish afirma que “a pesca tem ocorrido em excesso e isso somando as consequências da mudança climática impactam o oceano de forma brutal e não são problemas mutuamente exclusivos a serem tratados separadamente”.

Rashid Sumaila – professor do Instituto de Oceanos e Pescas da Universidade da Colúmbia Britânica e principal autor do relatório – disse durante um seminário on-line organizado pela Our Fish: “Se você tem um sistema que já está exaurido e tem outro ponto de pressão que o está atingindo ao mesmo tempo, como mudança climática ou pesca excessiva, isso tornará as populações marinhas menos resistentes ainda”.

“Se o oceano estivesse saudável, ele teria mais capacidade de suportar o estresse”, acrescentou ele.

O controle sobre a pesca pode ser resolvido por meio da criação de reservas marinhas, da redução de subsídios à pesca e da melhoria da gestão da pesca em todo o mundo, explicou Sumaila. Grupos de conservação marinha sem fins lucrativos, como a Sea Shepherd, têm como alvo a pesca ilegal, que também contribui para o desequilíbrio dos oceanos.

A Our Fish lançou um site chamado Fishyleaks, baseado no conceito WikiLeaks e que visa monitorar empresas do setor pesqueiro que violam a lei de pesca e despejo ilegal de resíduos.

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