Vacas têm pelos queimados para “garantir leite de qualidade”

Imagens de um vídeo registrado na fazenda McArthur, da Dean Foods, maior companha de laticínios dos EUA, em Okeechobee, na Flórida (Foto: ARM)

A medida é defendida como uma forma de evitar a contaminação do leite


Por David Arioch


Imagens de um vídeo registrado na fazenda McArthur, da Dean Foods, maior companha de laticínios dos EUA, em Okeechobee, na Flórida (Foto: ARM)

Você sabia que para garantir a qualidade do leite, muitas vacas são submetidas à queima dos pelos dos úberes?

A medida é defendida como uma forma de reduzir o acúmulo de esterco, lama e outras matérias orgânicas nos úberes do animal – o que pode permitir a contaminação do leite que será comercializado. Além disso, a prática é defendida como uma forma de ganhar tempo durante a ordenha.

Em sites brasileiros e internacionais voltados à produção leiteira há guias sobre como proceder na hora de queimar os úberes das vacas. Um deles, o MilkPoint, representativo do setor nacional de laticínios, informa em um de seus artigos que é importante que “a chama usada para a queima seja de baixa intensidade e que o contato do fogo com o úbere seja rápido”.

No YouTube também há vídeos explicativos sobre o procedimento, assim como investigações de organizações em defesa dos animais que atuam contra a prática, alertando os consumidores sobre a origem do leite que consomem. Afinal, procedimentos como a queima dos úberes das vacas fazem parte do processo de produção de leite destinado ao consumo humano.

Quem faz oposição à prática defende que facilmente classificaríamos como tortura ou arbitrariedade, independente de motivação, queimar os pelos de um ser humano com um maçarico ou instrumento parecido, então por que fazemos isso com as vacas e apenas para nosso benefício?

Ainda que alguém dissesse algo como: “Não há risco, é indolor e bem rápido”, quantas pessoas se submeteriam a esse tipo de procedimento? E para as vacas, não há nenhum benefício específico, já que a prática é condicionada à produção leiteira.

Quem atua nesse ramo também alega que a medida diminui a incidência de mastite ambiental, mas se essa doença está associada à produção leiteira, isso significa que ela existe como consequência direta desse sistema. Então talvez seja válido se perguntar: “Quem financia isso não é o consumidor?”


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