Para a Procuradora-geral da República, é preciso enfrentar o desmatamento “como fenômeno transnacional”


A Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, afirmou na segunda-feira (2) que o crime organizado é responsável pelo desmatamento na Amazônia. A jurista revelo que investigações do Ministério Público Federal encontraram “indícios da existência de associação entre os grupos que derrubam a mata e os compradores de madeira no exterior, para onde segue grande parte do produto extraído ilegalmente no território nacional”, segundo informações da Secretaria de Comunicação Social da Procuradoria.

Imagem registra desmatamento na Amazônia (Foto: Raphael Alves/AFP/Arquivo)

“Para reverter o problema, é preciso valorizar o papel do Ministério Público dentro do sistema penal acusatório e investir em mecanismos de cooperação internacional que levem em conta as características de cada tipo de delito, com ações tanto no plano doméstico quanto no internacional”, argumentou Dodge, que considera que é preciso enfrentar o desmatamento “como fenômeno transnacional”.

A Procuradora-geral deu as declarações durante solenidade de abertura da reunião de trabalho entre procuradores do Ministério Público Federal representantes da Unidade de Cooperação Jurídica da União Europeia (Eurojust), evento que foi realizado na segunda (2) e a na terça-feira (3) na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília. As informações são do Estadão.

“As informações que temos é de uma associação estreita entre quem desmata e quem compra madeira. Entre quem desmata, e põe fogo na mata, e quem usa essa madeira no exterior. [A madeira] não é usada só no território brasileiro. Aliás, é poucas vezes usada no território nacional. Inclusive, porque o porto do escoamento é no Norte do Brasil, não é para dentro do Brasil”, disse Dodge.

“Porque adentrar a floresta, desmatá-la numa primeira fase com uso de mão de obra escrava, carregar aquelas toras, encaminhá-las pelo rio até chegar ao porto, transportá-las de navio até o exterior é obra de uma organização e de um engendramento que não é fruto de coautoria, de uma ação ocasional não planejada”, completou.

Para ela, é necessário que o Ministério Público brasileiro e as autoridades estrangeiras cooperem entre si e que a corrupção e a lavagem de dinheiro sejam enfrentadas “com instrumentos que vedem transferência dissimulada para o exterior, de valores do patrimônio público brasileiro”.

“Inclusive, porque os outros países têm sido santuário do desvio do dinheiro do patrimônio público brasileiro. Se não houver cooperação para que os países europeus não sejam o destino desse dinheiro desviado do nosso patrimônio público, essa corrupção continuará a ser praticada”, reforçou.


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