TRATAMENTO ÉTICO

Hospital de vida selvagem no Reino Unido trabalha para recuperar animais

Documentário da BBC mostra a rotina da instituição e os esforços no tratamento das mais variadas espécies

Um coelho órfão, do tamanho da palma de uma mão, é acariciado suavemente enquanto recebe nutrientes necessários. Uma foca cinzenta, com a boca inchada e sem seus bigodes, é alimentada com sopa de peixe através de uma seringa. Um pássaro minúsculo é aconchegado dentro de um gorro de lã.

Um coelhinho sendo alimentado por uma seringa
Foto: David McNie

Este é um dia comum no hospital de vida selvagem da Grã-Bretanha, que abriga 250 espécies nativas para recuperação. Os animais, resgatados por equipes especializadas, são reintroduzidos na natureza assim que são considerados saudáveis novamente. A instalação é financiada por ONGs.

Colin Seddon, gerente do Centro Nacional de Resgate da Vida Selvagem, afirmou que todos os funcionários do local se relacionam com os animais. “Mas sabemos que o nosso trabalho implica em levá-los de volta à natureza com segurança”, disse, em entrevista ao Metro.

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Colin utilizou sua experiência de 40 anos atuando a favor do bem-estar animal para projetar um extenso centro com incubadoras, cabanas, piscinas, espaços ao ar livre etc. Inaugurado em 2012, nenhum visitante tinha sido permitido antes para não prejudicar a saúde dos animais mais frágeis. Mas a BBC obteve permissão recentemente para gravar um novo documentário, chamado Born To Be Wild (Nascido Para Ser Selvagem) sobre o local, que será dividido em 10 partes. Ele foi ao ar no dia 2 de setembro.

Um filhote de passarinho sendo alimentado por uma seringa
Foto: David McNie

Usando uma tecnologia nova para não interferir na recuperação dos 10 mil animais tratados no hospital todos os anos, o documentário mostra o trabalho dos funcionários e as histórias dos animais que ganharam uma nova vida.

Nem todos eles são simpáticos e não são tratados como animais domésticos. “Os animais daqui são todos selvagens, então muitas vezes não gostam de nos ver”, explicou Colin.

O hospital não trata apenas de ferimentos físicos – os psicológicos também são levados em consideração. “Charles, o cisne, foi abandonado pela família e está estressado. Nós colocamos Dickins, o pato-real, na mesma piscina, mas até agora eles estão ignorando um ao outro”, lamentou Kaniz Hayat, um dos funcionários do local.

Colin afirma que a equipe se emociona quando animais raros chegam no hospital, mas a instituição trata todos igualmente – até mesmo aqueles que são normalmente ignorados pelas pessoas, como gaivotas e raposas. “Se temos 300 gaivotas aqui, é porque 300 pessoas se importaram o suficiente para resgatá-las”, contou.

Uma foca com os olhos grandes olhando para a foto
Foto: David McNie

Os quartos reservados para os animais órfãos estão lotados de espécies. Nicola Turnbull, funcionária do local, muitas vezes leva 20 coelhos para casa, onde pode cuidar deles à noite. “Não posso só acabar meu horário de trabalho e deixar de me preocupar com eles. Então, tenho dois quartos para animais na minha casa – um para presas e outros para os predadores”, disse.

Colin explicou que reintroduzir os animais na natureza requer muito trabalho. “Temos que vasculhar o país todo em busca do território correto para as espécies. Temos que verificar os vizinhos, porque os proprietários de terra podem não estar de acordo com a presença dos animais. Temos que garantir que eles tenham o suprimento de comida certo”, listou.

“Às vezes pode ser difícil, mas você tem que aceitar que eles nascem na natureza – e é onde devem estar. E você tem que aceitar que pode cuidar de alguém por semanas – e ele pode morrer. Nós apenas fazemos tudo o que podemos para mantê-los vivos”, concluiu.


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