Greta Thunberg lidera jovens de 150 países em protesto mundial pelo clima

No Brasil os protestos acontecem em dezesseis estados, além dos jovens estudantes estarão presentes ativistas indígenas, grupos trabalhistas, líderes religiosos, grupos humanitários e organizações ambientais


 

Foto: Sarah Silbiger/Getty Images
Foto: Sarah Silbiger/Getty Images

Jovens do todo o mundo estão organizando uma greve geral das escolas para sexta-feira, 20 de setembro, para protestar contra a falta de ação dos governos e das empresas sobre as mudanças climáticas. Acredita-se que este seja um dos maiores protestos ambientais da história.

A Greve Global pelo Clima ocorre pouco antes dos países se reunirem na Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas em 23 de setembro, um evento que acontece logo antes da reunião da Assembleia Geral da ONU, onde os países devem aumentar suas metas de contenção de gases de efeito estufa firmadas no acordo do clima de Paris realizado em 2015. Uma segunda greve mundial está prevista para 27 de setembro.

“Se você não pode participar da greve, é claro que não precisa”, afirmou a ativista climática sueca de 16 anos, Greta Thunberg, a primeira “grevista escolar” que no ano passado começou a exigir com protestos semanais mais ação do governo de seu país sobre o assunto das mudanças climáticas, à Teen Vogue. “Mas acho que, se houver um dia em que você deve participar, este é o dia”.

Thunberg tornou-se uma figura influente no ativismo do clima entre os jovens eno mundo todo. Como ela não viaja mais de avião por causa das altas emissões de carbono da indústria da aviação, foi-lhe oferecida a oportunidade de viajar para os EUA em um veleiro de emissões zero. Depois de chegar, em 28 de agosto, ela agora está em Washington, DC, falando no congresso americano e se reunindo com parlamentares e ativistas dos EUA antes de ir para Nova York para as greves e a cúpula da ONU.

Foto: Fridays for Future Brasil/Rio de Janeiro
Foto: Fridays for Future Brasil/Rio de Janeiro

É um grande momento para Thunberg e para as legiões de ativistas e líderes estudantis que ela inspirou desde que começou o movimento, deixando de ir à escola nas sextas-feiras para protestar do lado de fora do parlamento sueco em agosto de 2018. Milhares de jovens que aderiram ao protesto, chamado de Fridays for Future (Sextas-feiras pelo Futuro), agora fazem greve toda sexta-feira para exigir ações mais agressivas de seus governos e da comunidade internacional. A última greve climática coordenada em larga escala e realizada em 24 de maio atraiu participantes de 130 países.

A greve de Nova York deve atrair milhares de pessoas, e greves paralelas em DC, Boston, Seattle, Minneapolis, Miami, Los Angeles e Denver também. Mas esta é realmente uma greve global e será a maior do movimento até aqui, com 2.500 eventos programados em 150 países (o site da Greve Global do Clima tem um mapa de pesquisa mostrando todos os eventos). Estima-se que milhões de pessoas vão participar das duas greves nos dias 20 e 27.

Thunberg liderará uma manifestação em Foley Square a partir do meio-dia de sexta-feira na cidade de Nova York, seguida de um discurso e uma marcha para Battery Park. Os 1,1 milhão de estudantes das escolas públicas da cidade foram até dispensados das aulas para poder participar da greve.

E não são apenas os jovens que participam dos movimentos em prol do planeta. Na Suécia, um grupo de idosos chamado Gretas Gamilingar (algo como, Os Antigos de Greta) está participando também. Ativistas indígenas, grupos trabalhistas, líderes religiosos, grupos humanitários e organizações ambientais como o Greenpeace e o 350.org também estarão lá. A empresa de moda e vestuário, Patagonia, disse que fechará suas lojas na sexta-feira em solidariedade à greve. O mesmo acontece com a marca de snowboard Burton. Mais de 1.000 funcionários da Amazon se comprometeram a participar da greve também.

Com a Cúpula da ONU acontecendo na segunda-feira, esta greve tem como objetivo levar os países a se comprometerem com metas climáticas mais duras e com transições mais rápidas para energia renovável. Sob o acordo de Paris, os países concordaram em trabalhar para limitar o aquecimento global ainda neste século a menos de 2 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, mas estabeleceram suas próprias metas. Na época, as metas não estavam alinhadas com o objetivo principal, mas a expectativa era que os países aumentassem gradualmente suas ambições de reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do tempo. A próxima cúpula da ONU é onde os países devem apresentar suas novas metas, mais agressivas.

“Estou ansioso para receber jovens líderes como Greta Thunberg e muitos outros”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, em entrevista coletiva no mês passado. “Estou dizendo aos líderes que não venham à cúpula com belos discursos. Venham com planos concretos, etapas claras para aprimorar as contribuições determinadas nacionalmente até 2020 e estratégias para a neutralidade do carbono até 2050”.

No entanto, as emissões de gases de efeito estufa estão aumentando em todo o mundo, e o maior emissor histórico de dióxido de carbono, os EUA, está tentando sair do acordo de Paris.

No Brasil

No Brasil estão confirmados protestos em dezesseis estados segundo o site do movimento fridaysforfuturebrasil.org são eles: Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina e Sergipe.

Pelo site também é possível encontrar os locais exatos onde serão realizadas as manifestações nos estados e cidades.

Em depoimento exclusivo à ANDA, Nayara Almeida, 21 anos, estudante de biologia e uma das principais articuladoras do movimento no Brasil, conta que nessa sexta haverá mais de 40 pontos de #GrevePeloClima- espalhados pelo país todo: “Isso é muito muito muito importante para o combate à crise climática. Os jovens vão as ruas pelo seu futuro, pela vida. Acreditamos muito que vamos fazer história no Brasil e no mundo todo junto a outros jovens e conseguir alcançar ações climáticas efetivas, o que inclui o cumprimento do acordo de Paris por parte do Brasil e de outros países também”.

A ativista ressalta que o movimento Fridays For Future está muito ligado ao que a ciência diz sobre como será o futuro da humanidade no planeta Terra. “Nosso movimento existe porque tem um gargalo não solucionado pela geração anterior e não dá mais pra esperar que o façam porque sabemos que a hora de agir é o quanto antes possível; por isso, precisamos agir agora ouvindo o que os cientistas nos dizem desde a década de 70”.

Abordando a questão ambiental do ponto de vista político Nayara Almeida demonstrou preocupação: “Quando a gente pensa na questão do meio-ambiente a nível Brasil, nosso país, claramente conseguimos ver que recentemente a área ambiental tem sofrido ataques diretamente, e quando entramos na pauta de clima então, mais ainda. No primeiro semestre desse ano o governo anunciou que 95% da verba seria cortada, e isso é extremamente negativo pra toda a população brasileira, porque não temos preparo pra enfrentar ou sequer frear a crise climática e nós pagamos o preço”.

“A mesma coisa quando olhamos os dados crescentes do desmatamento. Isso nos preocupa demais e nosso movimento tá aqui justamente porque queremos ambição em políticas climáticas e, com isso, que muitas vidas sejam poupadas” conclui a ativista.

Em São Paulo a manifestação está marcada para as 16 horas no MASP – Museu de Arte de São Paulo, Av. Paulista, 1578 mais informações podem ser encontradas na página do Facebook dos organizadores.

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