Em meio a um aumento de 196% das queimadas na Amazônia, governo decide reduzir orçamento destinado ao combate de incêndios florestais, ameaçando a preservação do meio ambiente


Apesar da Amazônia estar sendo devastada por queimadas, o Ministério do Meio Ambiente anunciou uma redução de 34% na verba de 2020 para combate a incêndios. A medida é mais um dos retrocessos de Jair Bolsonaro.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Jorge William / Agência O Globo

Dados do do Instituto Nacional e Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que em agosto o número de queimadas aumentou 196% na Amazônia e 128% em todo o território nacional quando comparado ao registrado no mesmo período em 2018.

O orçamento do governo para o Ministério caiu de R$ 625 milhões para R$ 561 milhões – uma redução de 10%. No caso dos recursos destinados ao combate aos incêndios, inclusive na Amazônia, os valores caíram de R$ 45,5 milhões para R$ 29,6 milhões.

Servidores do Ibama afirmaram ao jornal O Globo que os cortes colocam em risco a capacidade do órgão de prevenção a novos casos de incêndios.

“Com R$ 29 milhões previstos, o valor a ser executado no decorrer do ano será menor ainda, porque sempre há contingenciamento. Isso agrava a situação, e coloca em risco o cronograma de medidas preventivas, que são as campanhas de comunicação e educação ambiental em municípios mais vulneráveis aos incêndios”, disse um dos servidores.

O combate aos incêndios, segundo os servidores, tornou-se secundário no Ministério do Meio Ambiente, que fechou o Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento, por ordem do ministro Ricardo Salles. O Departamento agia no controle a incêndios na floresta amazônica.

Os processos de licenciamento ambiental, geralmente relacionados a obras de impacto relevante no meio ambiente, também sofreu cortes e registrou uma redução de R$ 7,8 milhões para R$ 4,6 milhões em sua verba. O governo cortou ainda cortes nos recursos voltados à gestão do uso sustentável da biodiversidade e recuperação ambiental. Com R$ 15,9 milhões destinados em 2018, essa área contará com apenas R$ 11,5 milhões em 2020.


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