O bernaca, também conhecido como ganso-de-faces-brancas, está começando a se alimentar ao norte do Círculo Polar Ártico, substituindo sua parada tradicional ao sul.

Um bernaca em cima de uma rocha
Foto: Miguel Willis/National Geographic/Miguel Willis

A espécie está mudando seu trajeto migratório, seguindo para o norte em consequência do aquecimento global. Um dos exemplos de como a vida selvagem está sendo afetada pelas mudanças climáticas.

Um novo estudo registrou uma população de gansos do Reino Unido que preferiu parar mais ao norte do Ártico, ignorando sua parada tradicional em Helgeland, na Noruega, ao sul. A nova região escolhida, Vesterålen, teve sua primavera mais cedo do que o esperado – o que aumentou a quantidade de alimentos disponíveis para as aves. Os bernacas mais jovens foram mais rápidos em adotarem o novo local.

O estudo complementa outra pesquisa, que descobriu espécies de aves migrando mais cedo, animais selvagens mudando de habitat e peixes mudando suas direções – tudo em resposta às mudanças climáticas.

O novo estudo, publicado na Global Change Biology (Mudança Biológica Global), analisou observações catalogadas há 45 anos pelo Instituto Norueguês de Pesquisa da Natureza, universidades e organizações. As pesquisas concluíram que, para os gansos, a mudança foi benéfica – a quantidade de alimento aumentou e a população dos animais praticamente dobrou nos últimos 25 anos.

Entretanto, a mudança mexeu com a cadeia alimentar da região. Os ursos polares, que costumavam se alimentar dos ovos das aves quando o gelo – em que eles caçam as focas no inverno – derretia, não têm mais alimentos disponíveis.

Segundo Thomas Oudman, co-autor do estudo, os gansos possuem capacidades incríveis de adaptação e se ajustam rapidamente às mudanças climáticas. “Para muitas outras espécies, esse pode não ser o caso, portanto as mudanças climáticas são capazes de ameaçar suas existências. Outros animais migratórios, principalmente os mais solitários, podem não ser capazes de encontrar ou colonizar outras áreas”, declarou, em entrevista ao The Guardian.

O pesquisador afirmou que muitas outras espécies de aves estão com problemas. Os gansos têm facilidade em mudar seus hábitos e suas rotas e essa facilidade pode ser impulsionada pelo fato de viverem em grupo. “Isso aponta para o fato de que as aves que migram sozinhas normalmente são mais sensíveis às mudanças climáticas, especialmente aquelas que precisam de áreas específicas para se alimentar”, concluiu.


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