Submetidos a alimentação forçada e injeções de compostos experimentais que podem resultar em sequelas dolorosas, esses animais passam toda a vida sendo vítimas de tortura e sofrimento


Foto: Animal Defence International
Foto: Animal Defence International

Por Eliane Arakaki

Gritando e aterrorizado, um bebê macaco destinado a ser cobaia de testes em laboratórios, treme de medo após ter sido cruelmente arrancado de seus pais em uma fazenda de criação de animais.

Sua mãe e seu pai foram capturados na natureza para serem engaiolados e forçados a se reproduzirem em condições assustadoras e antinaturais.

Há um aumento preocupante no uso de macacos-de-cauda-longa em experimentos, principalmente no Reino Unido, assim como este mostrado no vídeo cujos pais foram capturado nas Ilhas Maurício, para testes e pesquisas, apesar de uma lei da União Europeia ser contra esse tipo de procedimento.

A ONG Animal Defenders International responsável pelo vídeo apresentado nessa matéria luta pelos direitos desses animais.

Jan Creamer, chefe da ADI, disse em depoimento ao Mirror: “Não só os bebês-primatas criados em cativeiro viram cobaias, mas os pesquisadores utilizam também macacos retirados da natureza, como os pais desses filhotes”.

“Países que utilizam essas cobaias incentivam efetivamente revendedores no Vietnã e nas Ilhas Maurício a capturar animais e manter em suas fazendas industriais prendendo macacos selvagens”.

Os números mais recentes mostram um aumento de 12% no uso desses primatas só em laboratórios britânicos. Um total de 246 filhotes de macacos capturados na natureza, conhecidos como primatas “F1”, foi usado nos laboratórios do Reino Unido no ano passado, representando cerca de 10% do uso de primatas. Segundo a legislação da UE, o uso de F1s será eliminado até 2023.

De acordo com o Mirror, o governo do Reino Unido estava caminhando para esse prazo, sem nenhum macaco usado em laboratórios britânicos de 2014 a 2016 e apenas um em 2017.

Foto: Animal Defence International
Foto: Animal Defence International

Mas há preocupações de que isso possa ficar fora de controle se houver desregulamentação e abandono das regras da UE após o Brexit.

Um total de 2.606 macacos de cauda longa foram importados para a Grã-Bretanha no ano passado, 2.064 das Ilhas Maurício e 542 do Vietnã.

Nas Ilhas Maurício, a ONG ADI filmou macacas grávidas sendo maltratadas e presas, e os macacos sendo pegos violentamente pelas caudas, nas principais instalações de criação, em Biodia.

No Vietnã, eles viram macacos mantidos em pequenas gaiolas enferrujadas que estavam em estado de inanição.

A maioria dos primatas (2.148) foi usada no ano passado para testes regulatórios de segurança de substâncias químicas e foi submetido a alimentação forçada ou injeções de compostos experimentais e restrições no corpo inteiro.

Os efeitos colaterais desses procedimentos podem ser horríveis. Esses animais sencientes são submetidos a uma verdadeira tortura.

Esperança para o futuro

Conforme matéria publicada pela ANDA, o Partido Trabalhista do Reino Unido planeja, como parte de sua campanha a favor dos direitos animais, acabar com os testes em animais e proibir a venda de troféus de caça.

O partido também quer, depois de uma pesquisa pública, revisar o uso de chicotes em corridas de cavalo, proibir a pesca por pulso elétrico (que eletrocuta os peixes, forçando-os a saírem da água) e acabar com as armadilhas utilizadas para capturar os animais. O Partido Trabalhista também planeja incluir pena máxima para um réu culpado por crueldade animal.

A secretária do meio ambiente, Sue Hayman, afirmou que o Partido Trabalhista quer levar a política de bem-estar animal britânica para o século 21 e protegê-los.

“Depois de consultar o público e grupos envolvidos com a pesquisa, é claro que precisamos focar mentes e recursos em alternativas para os testes em animais, que devem ser eliminados”, disse Hayman, acrescentando que os experimentos, além de machucar os animais, muitas vezes são ineficazes.

Segundo dados da Home Office, em 2018 3,52 milhões de testes em animais foram realizados no Reino Unido. Em pelo menos 100 mil dos casos os animais sofreram severamente e cerca de 90 mil morreram.

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