A pesquisa realizada por cientistas do Centro Médico da Universidade Hebraica Hadassah de Jerusalém, revelou que a velocidade do ciclo de gravidez forçada a que são submetidas as vacas na indústria de laticínios se reflete nos consumidores de seus derivados


Foto: Adobe
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A presença e influência dos hormônios nos alimentos é uma questão importante, e por boas razões, pois esses hormônios ingeridos podem ser prejudiciais à saúde. No entanto, os laticínios costumam ficar de fora dessa discussão quando, segundo especialistas, este deve ser a primeira categoria de alimento a ser examinada.

Um trabalho de pesquisa intitulado “The Milk We Drink, Food For Thought” (O Leite que Bebemos, Alimento para o Pensamento, na tradução livre), escrito por uma pequena equipe de médicos do Centro Médico da Universidade Hebraica Hadassah, localizada em Jerusalém, Israel, abordou esse problema e não apenas encontrou uma correlação entre os hormônios lácteos e os consumidos pela população, mas também descobriu que esses hormônios poderiam afetar negativamente a fertilidade.

Hormônios

Devido a vários fatores sócio-políticos e econômicos, a moderna indústria de laticínios está no negócio de produzir grandes quantidades de leite de vaca em um ritmo cada vez mais rápido, segundo o estudo.

Isso exige que as vacas leiteiras sejam fecundadas enquanto ainda dão leite para reduzir o tempo entre o período “seco” e outro ciclo de lactação, explicam os autores.

Uma vaca grávida naturalmente produz uma quantidade significativa de hormônios sexuais, que são consequentemente transferidos para o leite que os consumidores bebem (hormônios não podem ser filtrados).

Preocupações dos pesquisadores

Os pesquisadores que estudaram hormônios contidos no leite de vaca expressaram preocupação com a quantidade de estrona, sulfato de estrogênio e progesterona encontrados no leite e em demais produtos lácteos.

Alguns dos cientistas se mostraram particularmente preocupados com o conteúdo hormonal presente em toda gordura derivada do leite como na manteiga e nos queijos, pois o estrogênio e a progesterona são solúveis em gordura e à base de colesterol, e esses alimentos têm maior colesterol do que os laticínios com baixo teor de gordura.

Estudos preliminares foram conduzidos para verificar se o corpo humano realmente absorve e é afetado por esses hormônios estranhos, e a conclusão foi positiva. Depois de consumir 600 mL/m2 de leite de vaca, os participantes da pesquisa tiveram um aumento nos níveis de E1 e P4 no plasma, enquanto os níveis de FSH, LH e testosterona caíram significativamente.

O que isso significa é que os hormônios sexuais presentes no leite de vaca foram absorvidos pelo corpo e desequilibraram os hormônios do corpo humano. A diminuição da testosterona sugere que o leite de vaca pode afetar negativamente a fertilidade masculina.
Fertilidade

Para aprofundar sua hipótese sobre o leite de vaca e a fertilidade, os pesquisadores deste artigo citaram outro estudo que analisou o impacto que os laticínios integrais tiveram na produção e na forma dos espermatozoides. Nos EUA, Irã e Espanha, os espermatozoides dos participantes foram impactados negativamente pelo consumo de laticínios.

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A fertilidade se tornou uma indústria multibilionária em muitos países, mas, dadas as recentes descobertas que ligam os laticínios à fertilidade reprimida, pode não haver uma necessidade tão abundante desse enorme complexo de negócios, segundo o artigo.

Se os consumidores eliminarem os laticínios de suas dietas, (e desde que não haja problema de saúde) existe um possibilidade de que possam também, eliminar os medicamentos e as visitas às clínicas. Mais pesquisas estão em andamento, mas se houver uma oportunidade de evitar medicamentos para fertilidade (e os embaraçosos efeitos colaterais perigosos que os acompanham), adotá-lo pode ser uma medida positiva.

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